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Pode considerar-se um caso particular de metonímia. A atribuição do nome de uma realidade a outra é aqui fundamentada não numa relação externa acidental mas sim essencial, tomando-se o todo pela parte ou a parte pelo todo. O critério quantitativo para distinguir metonímia de sinédoque pode usar-se, mas não é aplicável a todos os casos.

A forma mais conhecida de sinédoque é a antonomásia, que substitui o nome próprio de uma pessoa por uma característica. Por ex: O Épico, em vez de Camões; O Poeta dos Heterónimos, por Fernando Pessoa. Pode igualmente referir-se a espécie em vez do género ou vice-versa, (Ganhei o pão com o suor do rosto, = alimento); o singular pelo plural, (O Homem é mortal, = os homens); a matéria pelo instrumento, (Ele possui lindos bronzes, = objectos); o abstracto pelo concreto, (A audácia vencerá, = os audaciosos).

 

{bibliografia}

Joaquim Fonseca: Estudos de Sintaxe-Semântica e Pragmática do Português, 1993; John Earl Joseph: “Dialect, Language, and ‘Synecdoche'”, Linguistics (Berlin), 20, 78 (1982); Maria Lúcia Lepecki: “Sinédoque, eufemia, disfemia”, Colóquio-Letras, 53 (1980); N. Ruwet: “Synecdoques et métonymies”, Poétique, 2, 3 (1975).