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Forma de teatro que se baseia no engano óptico da chamada câmara negra resultante da incapacidade do olho humano de distinguir uma silhueta negra perante um fundo da mesma cor. Desta forma, os objectos manipulados pelas personagens com vestuários escuros adquirem a capacidade de movimentação por si só. As coisas inertes passam a ser agentes activos do argumento dramático até ao ponto do seu papel ser igualmente importante relativamente ao dos protagonistas de carne e osso.

Falar em teatro negro é falar obrigatoriamente em Praga. Este tipo de teatro pertence inseparavelmente à vida cultural de Praga, representado na sua forma mais fiel pela companhia de teatro Ta Fantastika que se interessou seriamente em recuperar as verdadeiras raízes do teatro negro. Além disso, esta companhia chama a atenção pela beleza plástica que confere a esta arte de representar, sobressaindo pelo cunho original que imprime no seu repertório, baseado, exclusivamente, em clássicos da literatura universal, como Dom Quixote, Alice no País das Maravillhas e, recentemente, As Viagens de Gulliver.

O princípio do teatro negro de Praga é a engenhosa aplicação de um simples e antigo truque: a chamada câmara negra ou gabinete negro, o qual já se conhecia na China Antiga e que desde logo foi aproveitado e utilizado.

Aquilo a que também se poderá chamar de teatro negro é algo já conhecido no tempo dos nossos avós e com o qual se produziam estranhos e espantosos efeitos cénicos e que se baseia na seguinte técnica: num palco totalmente negro o proscénio é iluminado dum lado e do outro criando-se a ilusão que todo o palco estava iluminado quando, de facto, numa grande zona do palco (B) se encontra totalmente na sombra. Alguém, vestido de negro, pode movimentar-se nesta zona, enquanto que outra pessoa ou objecto movimentando-se na zona (A) seria visível.

Partindo deste princípio, facilmente se compreenderá que alguém vestido de negro sem sair da zona (B) poderá manipular objectos que se movimentam na zona de luz (A), utilizando varas ou outros manípulos, sem serem vistos pelos espectadores.

Recentemente desenvolveu-se um outro tipo de teatro negro coincidente, de certa forma, com o anterior, designado «teatro em luz-negra». A técnica consiste na simples utilização das chamadas lâmpadas de luz negra que devido ao seu invólucro negro que absorve a radiação visível, irradiam ultra violetas de longo comprimento de onda já fora de espectro visível. Desta forma, irão criar-se espantosos efeitos

Actualmente, são em número expressivo as companhias de teatro que se dedicam a este género. No Brasil, mais concretamente no Rio de Janeiro e Salvador, companhias teatrais compostas exclusivamente por afro-brasileiros, propõem a mudança da dramaturgia brasileira, colocando em cena peças de teatro negro.

{bibliografia}

A.Harold Waters: Black Theater in French, A Guide, 1978

Lindsay Patterson: Black Theater. A 20th Century Collection of the Work of its Best Playwright (1971)

Peter Larlham: Black Theater, dance, and ritual in South Africa, (1985)

http://www.mipunto.com

http://www.terravista.pt/Enseada/1283/luz-n-01.html

http://www2.uol.com.br/simbolo/raca/1102/cultura.htm