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Nos limites do presente verbete, examinaremos o conceito de trovador (do provençal “trobador”) tal como era entendido no complexo cultural da Idade Média, mais especificamente no contexto do Trovadorismo português (1189 ou 1198 – 1418). A despeito de tal circunscrição, o termo prossegue de delimitação árdua, uma vez que seus limites conceituais com relação a outros termos – como jogral, segrel, menestrel e mesmo poeta – não estão, até o momento, totalmente nítidos.  Em resumo, são quase todas noções pouco precisas e distante de serem unívocas.

Nesse sentido e com base, sobretudo, nas lições de Segismundo Spina e Massaud Moisés, lançaremos luz no termo trovador, contrastando-o, de preferência, com determinados conceitos que lhe são vizinhos.

Com efeito, diferentemente do jogral, o trovador, por exemplo, era um artista de posição social mais elevada, não raro pertencente à nobreza, mesmo que de linhagem secundária ou fidalgo decaído. Para além desse particular, o trovador era o autor das letras e da melodia das canções (cantigas) que executava, fato que, apenas pontualmente, ocorria com o jogral, dependente, quase sempre, de obras alheias para ganhar a vida.

Em termos de classe social, o jogral apresenta-se como um vilão. Já o segrel é uma espécie de jogral, que cantava igualmente de forma profissional, deambulando de corte a corte; ele também sabia criar cantigas. Alguns teóricos postulam a ideia de que o segrel – fidalgo de última classe ou mesmo vilão – está numa posição intermediária entre o trovador e o jogral.  O menestrel, por sua vez, era um músico e cantor, podendo fixar-se numa corte ou permanecer em trânsito. Esse termo foi substituindo, a pouco e pouco, a denominação jogral.

O trovador possuía, em geral, bons conhecimentos técnicos da arte de criar melodias, de executar instrumentos e de versejar. A esses conhecimentos, acrescentem-se os da retórica e os da poética, entendidas como técnicas fortemente codificadas.

As composições dos trovadores estão agrupadas nos cancioneiros, como o Cancioneiro da Ajuda. Na Península Ibérica, o trovador aparece associado a três modalidades principais de cantiga, a saber: a cantiga lírico-amorosa (cantigas de amor e de amigo) e as cantigas satíricas (cantigas de escárnio e cantigas de maldizer).

{bibliografia}

Segismundo Spina: A Lírica Trovadoresca (1991); Massaud Moisés: A Literatura Portuguesa (2008).