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Expressão que concorre com a chamada Casa de Molière (la Maison de Molière) para designar formalmente o Teatro Francês (le Théâtre-Français), tanto para a comédia como para a tragédia. Originalmente, a Comédie-Française foi a Sociedade dos Comediantes Franceses, designação que serviu para a distinguir da Sociedade dos Comediantes Italianos e da Comédia Italiana. Foi fundada por Luís XIV, em 1680. A história da Comédie-Française está ligada aos espaços que ocupou e pode resumir-se assim: 1 – sala do Hôtel de Guénégaud (1673-1689); 2 – sala do Hôtel des Comédiens du roi, rue des Fossés-Saint-Germain (1689-1770); 3 – sala das Máquinas do palácio de Tuileries (1770-1782); 4 – le Théâtre-Français au faubourg Saint-Germain (1782-1793); sala Richelieu (a sociedade fora reconstituída em 1799 e esta sala, que está activa até hoje, foi construída em 1786-1790).

Após a morte de Molière em 1673, a sua companhia de actores fundiu-se com a companhia do Teatro de Marais, originando a companhia do Teatro Guénégaud. Em 1680, este grupo fundiu-se com o do Hotel de Bourgogne, tomando o nome de Comédie-Française, e passou a ser a única companhia profissional parisiense. Racine e Corneille são os dois principais comediógrafos da companhia fundada sob a inspiração de Molière. Depois de ter sido desmobilizada durante a Revolução Francesa, em 1812, foi reconstituída sob a égide de Napoleão. Instala-se então no Palais-Royal, sala que será destruída por um incêndio em 1900 e depois reconstruída de 1974 a 1976. Hoje, o Teatro Francês ainda permanece ligado às suas raízes. Após a nomeação de Pierre Dux como director e administrador da Comédie-Française, em 1970, novas obras e autores passaram a ser representados. De 1971 a 1983, a Comédie-Française dá espectáculos no Odéon. Hoje é ainda o único teatro do mundo que continua a ser gerido como uma sociedade ao mesmo tempo artística, comercial e estatal (o Estado participa com 80% do orçamento). Os seus membros provisórios são conhecidos por pensionnaires; os membros efectivos tornam-se sociétaires.

bibliografia

A. Joannides e Jules Claretie: La Comédie-Française de 1680 a 1900. Dictionnaire general des pieces et des auteurs (1970); A. Surgers: La Comédie-Française, un théâtre au-dessus de tout soupçon (1982); André Blanc: “L’ Action a la Comédie- Française au XVIIIe siècle”, Dix-Septième Siècle, 33, 132 (Paris, 1981); B. Dussane: La Comédie-Française (1960); Béatrice Froger e Sylvaine Hans: “La Comédie-Française au XIXe siècle: Un Repertoire littéraire et politique”, Révue d’Histoire du Théâtre, 36, 3 (1984); Henri Lagrave: “Molière a la Comédie-Française (1680-1793)”, Revue d’Histoire Litteraire de la France, 72 (1972); idem: “La Comédie-Française au XVIIIe siècle ou les contradictions d’un privilége”,  Révue d’Histoire du Théâtre, 33 (1980); Jan Clarke: “Another Look at the Comédie-Française as the ‘Maison de Moliere’”, Nottingham French Studies, 33, 1 (1994); Jean de Beer: “Diderot et la Comédie-Française”, Europe: Révue Littéraire Mensuelle,  405-406 (1963); Jeanne Gaillard: “La Comédie-Française pendant la guerre de 70”, Revue d’Histoire du Théâtre, 33 (1980); Jota Dangelo: “A Comédie-Française”, Minas Gerais, Suplemento Literário, 21, 1034 (1986); Lenard R. Berlantstein: “Women and Power in Eighteenth-Century France: Actresses at the Comédie-Française”, Feminist Studies, 20, 3 (1994); P. Dux e S. Chevalley: La Comédie-Française (1980).