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Locução latina, plural de obiter dictum. Observações, comentários ou juízos proferidos “de passagem”, isto é, à margem do desenvolvimento principal de um texto. Em estudos literários, o termo designa sobretudo reflexões breves do narrador, do autor ou de uma personagem que, não sendo indispensáveis à progressão da intriga ou do argumento, podem introduzir avaliações, generalizações, comentários morais, ironias ou aforismos.

Os obiter dicta aproximam-se da digressão, mas são geralmente mais breves e circunstanciais. Podem interromper momentaneamente a narrativa, orientar a leitura ou revelar uma determinada concepção do mundo. São frequentes na ficção de Laurence Sterne, pela sua estrutura digressiva, e em Eça de Queirós, cujos narradores e personagens formulam muitas vezes comentários sobre a sociedade, os costumes e a própria arte de narrar.

A expressão pode também designar, por extensão, uma colectânea de ensaios ou reflexões breves, como Obiter Dicta (1884), de Augustine Birrell. Em português, traduz-se habitualmente por observações incidentais, considerações marginais ou comentários de passagem.