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Sequência de palavras de forma a constituir uma frase, um conjunto de frases ou um pensamento acabado. Neste último sentido, uma simples palavra significativa: “Ninguém!” (por exemplo, resposta chave conhecida da peça de Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa) pode constituir um enunciado. Podemos considerar as frases deste verbete enunciados escritos; os enunciados orais também seguem a mesma definição dos enunciados escritos. Os enunciados aqui expressos são gramaticais, pois respeitam as regras da gramática; um enunciado do tipo *deixei a tua casa de ir , considera-se agramatical (é assinalado pelo asterisco no início da sequência). Os enunciados podem ser classificados subjectivamente, por exemplo, o primeiro enunciado deste verbete é um enunciado linguístico e lógico; o enunciado “Alma minha gentil que te partiste” é literário e poético; o enunciado “O partido do Governo perdeu as eleições europeias.” é português, político e jornalístico, etc. Chama-se ao conjunto de enunciados que se sujeita a uma análise empírica um corpus. Não convém confundir enunciado com discurso, pois este é uma unidade superior tal como o enunciado o pode ser em relação à frase simples, embora seja possível afirmar que a palavra supracitada (“Ninguém!”) pode constituir um discurso de um único enunciado.

{bibliografia}

E. Benveniste: Problèmes de linguitisque générale (1966);

Enciclopédia
(Einaudi), vol.2: "LinguagemEnunciação" (1984); Jean  Dubois:
"L’énoncé et l’énonciation", Langages, 13 (1969); Jean
Cervoni: A Enunciação (São Paulo, 1989).