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Nível de reflexão de um texto com o comentário que dele se faz.
Aquilo a que chamamos comentário de texto faz-se ao nível da
metatextualidade, porque unimos um texto a outro por uma relação
de afinidade interpretativa que se deduz pela citação, nomeação
ou mera sugestão do texto comentado. No limite, toda a reflexão
sobre o fenómeno literário é de natureza metatextual.

Gérard Genette, em Introduction à l’architexte (1979),
refere-se à transtextualidade ou relações transtextuais para
designar  as formas de relação de um texto com as suas múltiplas
"saídas", que vão da intertextualidade (citação explícita
ou implícita, na acepção de Júlia Kristeva), à

metatextualidade
(na qual o vínculo a estabelecer é entre o texto e o comentário
que suscita). Neste sentido, a metatextualidade é, afinal, a
relação crítica por excelência, que se estabelece no apelo que
um texto faz à sua própria interpretação.

{bibliografia}

Carlos Reis: O Conhecimento da Literatura: Introdução aos Estudos Literários (1995); Gérard Genette: Introdução ao Arquitexto (Lisboa, 1986; 1ªed., Paris, 1979); id.: Palimpsestes: La littérature au second degré (1982); Lucien Dällenbach: Le récit speculaire: Essai sur la mise en abyme (1977); Shlomith Rimmon-Kenan: Narrative Fiction: Contemporary Poetics (1983).