Termo alemão que pode ser traduzido como “romance de horror”ou “romance de terror” (literalmente, “romance do arrepio”). Designa uma modalidade narrativa desenvolvida sobretudo na Alemanha, entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX, caracterizada pela exploração do medo, do mistério, do sobrenatural, do crime, da perseguição e de espaços sombrios ou ameaçadores.
O género integra a circulação europeia do romance gótico, mas não deve ser entendido como sua simples tradução alemã. O Schauerroman apropria-se de convenções do gótico inglês, como castelos arruinados, criptas, passagens secretas, conventos, florestas, aparições e vilões tirânicos, adaptando-as a tradições narrativas e culturais germânicas. A palavra Schauer remete para o estremecimento ou arrepio causado por uma experiência de medo; o elemento essencial do género é, portanto, a produção de uma atmosfera de inquietação no leitor.
O aparecimento do Schauerroman relaciona-se com a expansão do mercado editorial, com a crescente popularidade do romance entre novos públicos leitores e com a sensibilidade pré-romântica e romântica. A atração pelo obscuro, pelo irracional, pelo fantástico e pelo sublime constituía uma reação parcial aos modelos racionalistas do Iluminismo. Ao mesmo tempo, muitas obras do género conservam uma dimensão moralizante. Embora apresentem crimes, ameaças sobrenaturais, desejo, violência e transgressão, tendem a concluir com a punição do mal, a reposição da ordem social ou a explicação racional de acontecimentos inicialmente interpretados como sobrenaturais. Essa ambivalência aproxima o Schauerroman tanto do romance gótico como do melodrama e da literatura popular.
O Schauerroman é frequentemente incluído no domínio mais amplo do romance gótico europeu. A sua formação foi influenciada por obras inglesas como The Castle of Otranto (1764), de Horace Walpole, The Mysteries of Udolpho (1794), de Ann Radcliffe, e The Monk (1796), de Matthew Gregory Lewis. Contudo, a tradição alemã adquiriu traços próprios. Em certas obras, o horror aproxima-se da narrativa criminal, da crítica anticlerical, da lenda popular ou do interesse romântico pelo fantástico. Noutras, predominam mecanismos narrativos de sensação, concebidos para provocar medo imediato, mais do que para investigar psicologicamente a experiência do sinistro.
É importante distinguir o Schauerroman do fantástico romântico alemão, embora existam zonas de contacto entre ambos. Autores como E. T. A. Hoffmann desenvolvem formas mais complexas de ambiguidade, interioridade e inquietação psicológica, enquanto o Schauerroman tende, em geral, a privilegiar a ação melodramática e os efeitos sensacionais.
Entre os autores associados ao género, destaca-se Christian Heinrich Spiess, cuja obra Das Petermännchen (1793) combina elementos de mistério, crime e aparição sobrenatural. Também Heinrich Zschokke, Carl Grosse e Karl Gottlob Cramer contribuíram para a difusão de narrativas de terror e sensação no espaço cultural alemão. A produção de Carl Grosse, em particular, tornou-se conhecida para além da Alemanha. O seu romance Der Genius (1791-1795), traduzido em inglês como Horrid Mysteries, pertence à vertente mais extrema e conspiratória do género, marcada por sociedades secretas, perigos políticos e violência.
Embora não possam ser reduzidos ao Schauerroman, escritores como Friedrich Schiller, Ludwig Tieck e E. T. A. Hoffmann participam do horizonte cultural que tornou possível a valorização literária do medo, do estranho e do irracional. A sua obra, porém, frequentemente desloca o terror sensacional para problemas estéticos, filosóficos e psicológicos mais complexos.
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