Termo inglês que significa literalmente, “curva apertada” ou “trajecto em ziguezague”; usa-se, sem estatuto terminológico inteiramente fixo, para designar uma construção literária marcada por mudanças bruscas e sucessivas de direcção. Na narrativa, pode referir-se à alternância entre tempos, espaços, enredos ou pontos de vista, bem como a uma sequência de avanços, recuos e reviravoltas que interrompe a progressão linear da história. No ensaio e na poesia, pode indicar uma súbita inversão do raciocínio, do tom ou da perspectiva.
O switchback distingue-se da analepse: esta consiste num recuo temporal delimitável, enquanto aquele descreve o movimento descontínuo ou sinuoso da composição no seu conjunto. Pode incluir analepses, prolepses, digressões, mudanças de focalização e peripécias, produzindo efeitos de surpresa, instabilidade ou desorientação deliberada.
The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, de Laurence Sterne, constitui um exemplo paradigmático, pela constante interrupção e inversão do curso narrativo. Na literatura portuguesa, Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, apresenta uma estrutura comparável: o relato da viagem, a novela de Joaninha, a reflexão política e os comentários do narrador sucedem-se num trajecto digressivo e irregular. O vocábulo deve, contudo, ser entendido como metáfora crítica descritiva, e não como designação de um género ou procedimento formal rigorosamente codificado.
- Brooks, Peter. Reading for the Plot: Design and Intention in Narrative. Harvard UP, 1984.
- Genette, Gérard. Narrative Discourse: An Essay in Method. Translated by Jane E. Lewin, Cornell UP, 1980.
- Sterne, Laurence. The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman. Edited by Melvyn New and Joan New, Penguin, 2003.



Comentários recentes