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Figura de retórica que consiste na repetição de uma mesma palavra num mesmo enunciado, mas com sentido diferente. Nos conhecidos versos de Luís de Camões: “Os vossos, mores cousas atentando, / Novos mundos ao mundo irão mostrando” (Os Lusíadas, II, 45), a diáfora (mundos … mundo) traduz apenas um jogo semântico (novos mundos=novas terras; ao mundo=a toda a humanidade) que pretende enriquecer o sentido geral da imagem universalista da gesta portuguesa de Quinhentos. A diáfora distingue-se do pleonasmo, pois a redundância é necessária no contexto da diáfora. Esta figura é sinónima da antanáclase e utiliza-se sobretudo em contextos que exijam dar ênfase a uma ideia de forma progressiva.

{bibliografia}

Andras Sandor: “Metaphor or Diaphor? On the Difference Particular to Language”, Diogenes, nº134 (1986); Peter Carravetta: “Tuning in/to the Diaphora: Lyric, Metaphysics, and the Reasons of Allegory”, RLA: Romance Languages Annual, 6 (1994).