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S. m. de origem grega e que em latim é o INTERROGATIO. É a PERGUNTA RETÓRICA, interrogação desnecessária que se faz, sem a espera de resposta ou que pressupõe uma única resposta possível. Equivale, portanto, a uma afirmação enfatizada.

Os Diálogos de Platão possuem vários ERÓTEMAS dissimulados em autênticos problemas dubitativos. Eis um exemplo no Crátilo em que Sócrates lhe pergunta:

 

     ― Devemos dizer que o bom e o belo são uma coisa em si ou não? ― Crátilo não tendo alternativa, uma vez que em sua época era impensável uma perspectiva nominalista, responde:

     ― Sem dúvida, Sócrates.

 

Quintiliano (35 d.C.-100 d.C.) teoriza o ERÓTEMA como uma pergunta que é feita “non sciscitandi causa, sed instandi” (não para investigar, mas para provocar). Ele exemplifica no exórdio da primeira Catilinária de Cícero (106 a.C.-43 a.C.):  “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia mostra?” (Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?), o que equivale a: “Há muito tempo que estás abusando da nossa paciência”.

No Brasil, o ERÓTEMA (mais conhecido como PERGUNTA RETÓRICA) é um dos recursos utilizado no texto dissertativo-argumentativo (redação escolar e vestibular) na parte da conclusão. Nesse caso em que a interrogação é meramente retórica (discurso vazio, em vão), a resposta já deve estar explícita no texto, sem a necessidade, portanto, de redigi-la.


[Bibliografia]

  • CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens. São Paulo: Atual, 2003. Volume único.
  • PLATÃO. “Crátilo”. In: PLEBE, Armando e EMANUELE, Pietro. Manuel de retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
  • PLEBE, Armando e EMANUELE, Pietro. Manuel de retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
  • QUINTILIANO. Instituzione oratoria. Bolonha, 1974-1978. 5 volumes.