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Código poético baseado nos valores numéricos de uma expressão ou verso, que, uma vez descodificado, permite descobrir uma data de um acontecimento relevante. Na poesia islâmica, por exemplo, tal artifício foi bastante usado, como quando se pretendia esconder a data de publicação de uma obra increvendo um cronograma no título. O comentário de Luís António de Verney é esclarecedor sobre a tradição do cronograma: “Dos Cronogramas, vi algum em Portugal, mas raro. Os Tudescos são insuportáveis nesta matéria, e também os Hebreus modernos. Consiste, pois, o Cronograma em pôr no princípio ou fim de um livro, ou em alguma inscrição, certas palavras, parte das quais letras sejam maiúsculas, as quais, juntas, declarem a era em que foi feito o livro. Homens há que perdem meses para buscar as ditas palavras.” (Verdadeiro Médodo de Estudar, vol. II: Estudos Literários, Liv. Sá da Costa, Lisboa, 1950, p.226).