Select Page

[Do lat. postilla, “após aquelas coisas”.] Qualquer aditamento, anotação ou correcção marginal ou interlinear a um texto, sendo, neste caso, sinónimo de post scriptum (abreviado PS), podendo também ocorrer na variante apostilha. Assumindo a forma de comentário erudito, pode funcionar como suplemento textual a uma obra pré-existente, por exemplo, Apostila à Censura do Senhor Alberto de Morais Carvalho (1859), de António Luís de Seabra; “Apostilha sobre um Poema de Fernando Pessoa” (Vértice, vol.45, nº466, 1985), de Arquimedes da Silva Santos. É também possível dar à funcionalidade textual da apostila um fim literário, como atestam os Poemas Herói-Cómicos Portugueses: Verbetes e Apostilas (1922), de Alberto Pimentel. O Padre António Vieira criticou o método de pregar a que se chamava “apostilar o Evangelho”. No Sermão da Sexagésima, diz: “Usa-se hoje o modo que chamam de apostilar o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos, e quem levanta muita caça, e não segue nenhuma, não é muito que se recolha com as mãos vazias.” (Cap.VI, Sermões do Padre António Vieira, apres. de Margarida Vieira Mendes, Comunicação, Lisboa, 1982, p.152). Segundo Margarida Vieira Mendes, “o sermão apostilado teria uma organização mais lassa e plural, de tipo deambulatório, próxima das exposições da exegese patrística e dos comentários escriturários, então abundantes, de teor mais expositivo que persuasivo.” (A Oratória Barroca de Vieira, Caminho, Lisboa, 1989, p.172). Vieira demarcou-se de esta tradição para propor um tipo de sermão que estivesse mais de acordo com a norma clássica e que não fosse apenas “expor” e “ensinar”, mas sim “pregar” e “persuadir”.