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Frase breve de carácter aforístico, geralmente de alcance universal. O apotegma aparece quase sempre com linguagem figurativa e na forma de uma máxima ou sentença. Distingue-se do aforismo e do provérbio por ser mais prático e focalizado; a autoria do apotegma é também, regra geral, reservada a figuras notáveis da cultura, ao passo que o aforismo e o provérbio podem ter origem popular. Na Antiguidade, registaram-se os apotegmas e anedotas dos Padres do Deserto egípcio na compilação Apophthegmata Patrum e, no século I a.C., Plutarco reúne em Apophthegmata Laconica as máximas de reis, políticos e militares notáveis de todos os tempos e lugares. Francis Bacon publicou uma colecção com o título Apoththegms New and Old (1624). São bem conhecidos os apotegmas de Ben Johnson, por exemplo, “Patriotism is the last refuge of a scoundrel.” O Padre Manuel Bernardes deixou na sua A Nova Floresta ou Silva de Vários Apótegmas, e Ditos Sentenciosos Espirituais, e Morais, com Reflexões em que o Útil da Doutrina se Acompanha com o Vário da Erudição Assim Divina, Como Humana (5 vols., 1706-1728) uma importante colecção de apotegmas. O Marquês de Maricá ficou célebre pelas suas Máximas, Pensamentos e Reflexões (1837-43), de onde se regista este apotegma: “A vaidade de muita ciência é prova de pouco saber.”

No pensamento antigo, não é raro recorrer-se ao chamado apotegma numeral, isto é, aquele no qual se afirma que três, quatro ou mais coisas são isto ou aquilo. Por exemplo, na Bíblia, no Livro dos Provérbios: “Por três coisas se alvoroça a terra, e a quarta não a pode suportar: Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando anda farto de pão: Pela mulher aborrecida, quando casa; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora.” (30, 21-23). À entrada do templo de Apolo, em Delfos, estavam as famosas máximas da doutrina délfica, como “Conhece-te a ti mesmo.” ou “Nada em excesso.”.