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[Do gr. kleuasmós, “sarcasmo”] Figura de retórica pela qual um sujeito fala contra si mesmo, geralmente atribuindo a si próprio as qualidades negativas dos outros, ou, pelo contrário, atribui a outros as suas boas qualidades. Por exemplo, os seguintes versos do poema “Tabacaria”, de Álvaro de Campos, construído segundo este princípio de introspecção negativa: "Não sou nada. / Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. / (…) / Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? / (…) / Vivi, estudei, amei e até cri, / E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.”