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Poema destinado a celebrar ou homenagear alguém falecido. O termo é de origem grega (epikedeion, “canto fúnebre”, "exéquias") e dizia respeito aos cantos entoados em presença do cadáver, por oposição à trenodia (threnos), que podia ser entoada em qualquer lugar. Foram bastante populares no período helenístico e foram largamente imitados na literatura latina. A variedade do epicédio pode compreender a sua extensão e a sua forma estrófica. Bocage escreveu um “Epicédio na sentida morte do Senhor D. Pedro José de Noronha, marquez de Angeja” (1804) e a própria morte de Bocage inspirou epicédios a Filinto Elísio e ao padre José Agostinho de Macedo, seu rival; o IV Conde da Ericeira legou-nos também um “Epicédio na morte da Sereníssima Senhora D. Francisca Infanta de Portugal (1737), numa época em que o género foi cultivado com grande carga de artificialismos, sobretudo pelos Árcades embora nunca se tenha imposto nem possua a mesma tradição da elegia e da ode, géneros que partilham a mesma finalidade poética, mas sem os convencionalismos e os clichés do epicédio. Podemos comparar o género ao pranto medieval, mais próximo das exéquias gregas.

{bibliografia}

António Coimbra Martins: “O Epicédio de Bocage por Morte de Maria Antonieta”, Arquivos do Centro Cultural Português, 27, (1990); Hans Henrik Krummacher: Das barocke Epicedium: Rhetorische Tradition und deutsche Gelegenheitsdichtung im XVII Jahrhundert”, Jahrbuch der Deutschen Schiller Gesellschaft, 18 (1974); M. Alexiou: The Ritual Lament in Greek Tradition (1974).