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Impropriedade de expressão. Conceito da antiga retórica que se aplicava geralmente a erros de tradução que não respeitavam a realidade idomática de uma língua. Hoje, podemos estender a aplicação do termo às muitas situações de uso impróprio da expressão, por exemplo, em certos estrangeirismos ou traduções erróneas. Do ponto de vista do respeito pela índole da língua, podemos classificar como acirologia o uso de termos como “afazeres”, por ser uma adaptação do francês, quando existe em português a palavra “ocupações”; o mesmo é válido para “nuance” em vez “gradação”. Também são acirologias o uso de hiatos (“Aponta a arma”), colisões (“O Sr. Silva sentiu sumamente a sua falta.”), ecos (“Não sem razão pensavam ser condição necessária um bom relacionamento entre vilãos e senhores.”) e cacófatos (“poderia-se”, “pouca cautela”). No entanto, há escritores que tendem a aproveitar certas acirologias para criar efeitos estilísticos: o uso do pleonasmo em Camões: “Vi claramente visto o lume vivo” (Os Lusíadas, V, 18) e em Camilo Castelo Branco: “e entraram no coche, carruagem sua especial dele” (O Judeu, I); o uso de epítetos da natureza em Fernando Pessoa: “O mar salgado, quanto do teu sal” (Mensagem).