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Termo grego para a demonstração ou comprovação de um argumento ou proposição. Nos Tópicos, Aristóteles identifica a apodeixis como um dos três tipos de argumentação, distinto da dialéctica e da refutação. A argumentação apodíctica (também chamada problemática) parte de proposições que podem ser verdadeiras e originais, o que as distingue, por exemplo, do caso da argumentação dialéctica que parte de proposições já fundadas e universalmente aceites, e do caso da argumentação refutatória que parte de proposições já fundadas e julgadas parcialmente aceites (embora não o sendo). Uma proposição apodíctica expressa a ideia de que uma coisa é ou pode ser, como no enunciado: "Todo o homem deve ser racional", que é universal em quantidade ("Todo") e possui um carácter afirmativo ("deve ser"). Este tipo de enunciado é fundamental no chamado silogismo aristotélico. Michael Riffaterre mostrou que estes enunciados são verdadeiros porque o leitor não consegue questionar aquilo que é afirmado. Em Fictional Truths (1990), estuda vários romances a partir de enunciados deste tipo para provar que o "valor ficcional" de um texto não está em nenhum tipo de rigor na representação mas nas estratégias narrativas que nos sugerem ou dissimulam a verdade.