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Espécie de antologia de poemas recolhidos de manuscritos, segundo um critério meramente pessoal, tal como era prática corrente entre os aristocratas renascentistas. O objectivo original deste tipo de antologia parece não concordar inteiramente com o título que para ela foi encontrado, pois o conceito dizia respeito a uma colecção de poemas manuscritos que eram passados de mão em mão, para uma divulgação sempre limitada a uma élite social. No século XVII, circularam na Península Ibérica grandes colecções de lugares-comuns bíblicos, de textos dos Doutores da Igreja e de escritores latinos, que qualquer pregador podia consultar para apoio dos seus sermões. Tais lugares-comuns ficaram conhecidos por conceitos predicáveis. Embora não tomem o nome de “Livro de Lugares-Comuns”, mas sim variantes como Promptuarium conceptum, de Rafael Sarmiento (1604) ou Silva comparationum, de González de Critana (1611), tais colectâneas podem ser classificadas como tal. No século XIX, foram bastante populares em Inglaterra e nos Estados Unidos, sobretudo entre mulheres literatas, que contribuíram para ampliar o alcance do commonplace book. Por exemplo, Elisabeth P. Adams, publica o seu Commonplace Book (Bellingham, Mass., c.1836-56) com entradas de diário, adivinhas, definições humorísticas, poemas e ensaios, pensamentos pessoais, e termina com notas sobre o seu baptismo e afirmações de fé. Alice L. Blaney publica também um Commonplace Book (Swampscott, Mass., c.1869), que inclui poemas de Elizabeth B. Browning, Byron, Longfellow, Pope, Tennyson, mas também inclui receitas de culinária, notas sobre a História de Inglaterra, de Macaulay, etc. Esta diversidade de conteúdos que o commonplace book passa a suportar a partir do século XIX, aproxima-o de um almanaque.