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Tipo de organização social em que a mulher é a base da família e detém a autoridade sobre a tribo ou grupo. Em sociologia, termo empregado por Bachofen para definir um regime de família que teria existido na origem dos tempos e que ainda persiste em alguns povos primitivos; regime que confia à Mãe o governo da família e a iniciativa da sua constituição, via de regra, com a escolha de vários maridos. Apesar da ausência de provas que confirmem a existência desse regime em tempos antanhos, como estágio normal na evolução da família, o termo matriarcado impôs-se, sobretudo na crítica feminista, e hoje é empregado para exprimir o regime dominante em certos povos de civilização primária e de pequena colheita, onde a mulher tem maior importância económica e, em consequência, predomina a linhagem matrilinear, segundo a qual o nome dos filhos e a sua situação social provém da mãe e não do pai. Na África (os bijazoses da Guiné, por exemplo), predomina o matriarcado e um costume (“couvade”) que era comum entre os índios do Brasil: durante a gravidez e o parto da mulher, o homem permanece em casa de resguardo, enquanto ela trabalha.

Em política, ginocracia é a forma de governo em que o poder é exercido pela mulher. Nas organizações sociais primitivas, coincide com o matriarcado. Nos sistemas monárquicos, a palavra designa o exercício do controle político por mulheres que, em virtude de determinada organização jurídico-dinática, podem suceder no trono aos seus parentes do sexo masculino.

No Brasil colonial, há rastros de costumes matriarcais, como o mostra Gilberto Freire: “Jacinta de Siqueira (…) aparece identificada como o tronco, por assim dizer, matriarcal, de todo um grupo de ilustres famílias.” (in Casa Grande, Senzala, 1938, p.24).

Na mitologia, o sistema matriarcal, ou matriarcado, está fundamentalmente ligado ao arquétipo do Grande Feminino, à imagem primordial da Grande Mãe ou da Mãe Terrível – célula cósmica geradora da humanidade (E.Neuman).

{bibliografia}

Câmara Cascudo: Dicionário do Folclore Brasileiro (1972); Eric Neuman: A Grande Mãe (1996); George Duby e Michelle Perrot (direcção): História das Mulheres no Ocidente, 5 vols.(1990-91);(Joseph Campbell: As Máscaras de Deus (199 ?); Linda R. Williams: “Happy Families? Feminist Reproduction and Matrialineal Thought”, in Feminist Literary Theory – A Reader, ed. por Mary Eagleton (2ªed., 1996).