NARRATIVIDADE

Termo relacionado com as qualidades específicas da narrativa. Ainda que a definição de narrativa não determine a qualidade ou a extensão da frase, ou mesmo o número de eventos narrados, existem sintagmas narrativos que não produzem no receptor a percepção de que uma história está a ser contada, pois para que isso aconteça, o discurso narrativo terá de fazer uso das capacidades com que está provido e que lhe permitem o fenómeno da produção de sentido, o qual terá a maior ou menor profundidade mediante a forma como a diegese for transformada em discurso. Efectivamente, a narrativa é um lugar codificado onde uma história é redimensionada temporal e espacialmente e onde os eventos e as acções são submetidas à alquimia da linguagem a fim de se tornarem em objectos estéticos. Em última análise, a narratividade exerce uma força modalizante na narrativa que a conduz a uma integração histórico-social. Por isso, os textos das diferentes épocas foram lidos diversamente através da história e pelas diferentes classes sociais, podendo dizer-se que a narratividade de cada texto determinará a sua recepção pelo variado público.
Neste contexto, a narratividade está numa relação directa com o receptor, pois é nele que se irá realizar o fenómeno estético da arte em geral, donde se pode considerar que a narratividade ocupa uma posição funcional na narrativa e é o processo pelo qual o receptor constrói activamente a história a partir da matéria narrativa fornecida pelo meio narrativo. A narratividade é um fenómeno da aprendizagem e difere de acordo com o horizonte cultural em que se insere, pois na sua funcionalidade, ela requer a suspensão do sentido de descrença, i.é, o receptor sabe que a narrativa não é real, mas, culturalmente, aprendeu a suprimir o desiderato de verdade, a fim de poder apreender a ficção como se da realidade se tratasse. Este fenómeno tem sido observado em todas as eras e não se limita aos textos narrativos literários, podemos verificá-lo no cinema, na banda desenhada e em todas as outras formas de expressão artística aos quais o conceito de narrativa pode ser aplicado.
Uma vez que a narrativa representa uma reconstrução do universo que todos os dias se faz de forma diferente, a narratividade deve ser entendida como uma qualidade do discurso reconstrutor desse universo e ser actualizada pelo processo da leitura.
{bibliografia}
Algirdas Julien Greimas; Ricoeur, Paul; Perron, Paul (tr.); Collins, Frank (tr.): On Narrativity – New Literary History: A Journal of Theory and Interpretation (1989 Spring, 20:3); G. Mast and Cohen, Film Theory and Criticism: Introductory Readings, 1999. H. Porter Abbott, The Cambridge Introduction to Narrative, 2002.

NARRAÇÃO, NARRADOR, NARRATIVA, NARRATOLOGIA
NARRATIVIDADE

Termo relacionado com as qualidades específicas da narrativa. Ainda que a definição de narrativa não determine a qualidade ou a extensão da frase, ou mesmo o número de eventos narrados, existem sintagmas narrativos que não produzem no receptor a percepção de que uma história está a ser contada, pois para que isso aconteça, o discurso narrativo terá de fazer uso das capacidades com que está provido e que lhe permitem o fenómeno da produção de sentido, o qual terá a maior ou menor profundidade mediante a forma como a diegese for transformada em discurso. Efectivamente, a narrativa é um lugar codificado onde uma história é redimensionada temporal e espacialmente e onde os eventos e as acções são submetidas à alquimia da linguagem a fim de se tornarem em objectos estéticos. Em última análise, a narratividade exerce uma força modalizante na narrativa que a conduz a uma integração histórico-social. Por isso, os textos das diferentes épocas foram lidos diversamente através da história e pelas diferentes classes sociais, podendo dizer-se que a narratividade de cada texto determinará a sua recepção pelo variado público.
Neste contexto, a narratividade está numa relação directa com o receptor, pois é nele que se irá realizar o fenómeno estético da arte em geral, donde se pode considerar que a narratividade ocupa uma posição funcional na narrativa e é o processo pelo qual o receptor constrói activamente a história a partir da matéria narrativa fornecida pelo meio narrativo. A narratividade é um fenómeno da aprendizagem e difere de acordo com o horizonte cultural em que se insere, pois na sua funcionalidade, ela requer a suspensão do sentido de descrença, i.é, o receptor sabe que a narrativa não é real, mas, culturalmente, aprendeu a suprimir o desiderato de verdade, a fim de poder apreender a ficção como se da realidade se tratasse. Este fenómeno tem sido observado em todas as eras e não se limita aos textos narrativos literários, podemos verificá-lo no cinema, na banda desenhada e em todas as outras formas de expressão artística aos quais o conceito de narrativa pode ser aplicado.
Uma vez que a narrativa representa uma reconstrução do universo que todos os dias se faz de forma diferente, a narratividade deve ser entendida como uma qualidade do discurso reconstrutor desse universo e ser actualizada pelo processo da leitura.
{bibliografia}
Algirdas Julien Greimas; Ricoeur, Paul; Perron, Paul (tr.); Collins, Frank (tr.): On Narrativity – New Literary History: A Journal of Theory and Interpretation (1989 Spring, 20:3); G. Mast and Cohen, Film Theory and Criticism: Introductory Readings, 1999. H. Porter Abbott, The Cambridge Introduction to Narrative, 2002.

2009-12-24 07:21:44
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