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Tipo de comédia intimamente associado com o nome de Ben Jonson, dramaturgo inglês. Na sua base está a antiga teoria fisiológica de acordo com a qual os humores eram os quatro fluidos cardinais do corpo humano: o sangue, a fleuma, a bílis negra (melancolia) e a bílis amarela (a cólera). Utopicamente, estes líquidos existiriam em harmonia, determinando a perfeita saúde física e mental. No entanto, sempre que um destes humores predominava sobre os outros, ocorria o desequilíbrio do temperamento do indivíduo. A origem de palavra humor é, portanto, médica. Os gregos, e em particular Hipócrates, foram os primeiros a traçar as linhas desta teoria, estabelecendo as relações entre os temperamentos e os humores. O desequilíbrio de um ou outro humor no temperamento criava quatro tipos de disposição cujos nomes permaneceram até hoje. São exemplo disso fleumático, colérico ou melancólico.

As comédias de Ben Jonson, contemporâneo de Shakespeare, centravam-se em personagens a quem um dos humores controlava. Criou assim personagens-tipo, cuja comicidade resultava exactamente do exagero de determinados traços psicológicos, de uma certa excentricidade ou distorção características.

Em Every Man Out Of his Humour Ben Jonson define os humores: “The choler, melancholy, phlem and blood…/ Receive the name of humours. Now thus far/ It may by metaphor apply itself/ Unto the general disposition :/ As when some one peculiar quality/ Doth so possess a man that it doth draw / All his effects, his spirits, and his powers, / In their confluxions, all to run one way, / This may truly said to be a humour”. Every Man In His Humour (1598) é o primeiro exemplo de peças deste género, sendo considerada a obra de arte de Jonson. O seu argumento, todo fruto da sua criação artística, gira à volta do velho Knowell e da ciumenta Kitely, e da exposição dos seus humores em virtude de uma série de peripécias, terminando com o casamento do jovem Knowell com a irmã de Kitely. O termo humor designa assim um número de traços distintivos de personagens definidas e que ilustravam o modo de ser dos londrinos. O criado astuto, o soldado fanfarrão, o marido avarento e ciumento, os jovens mancebos alegres, são alguns exemplos destes arquétipos. Every Man In His Humour marcou o início de um movimento revolucionário nos métodos que até aí se utilizavam para escrever teatro. A tradição da comédia de humores é seguida por uma nova peça de Jonson, de seu nome Every Man Out Of His Humour (1599), onde um cavaleiro vaidoso, um cortesão afectado, um marido caduco, entre outros, exibem os seus humores.

Beaumont, Fletcher encontram-se entre os dramaturgos que seguiram esta escola, como o comprova The Woman Hater, escrita pelo primeiro. Marston Middleton e Chapman lucraram com o seu exemplo. Field, Randolph, Cartwright, Nabbes e May são nomes que lhes sucederam e que empregaram nas suas obras os métodos legados por Jonson. A comédia de humores tornou-se, de facto, um modelo estabelecido e que marcou uma viragem na história do teatro.

{bibliografia}

Barish, Jonas A., Ben Jonson: and the language of prose comedy, Harvard University Press, Cambridge, 1967 ; Donaldson, Ian, The World Upside-Down: Comedy from Jonson to Fielding, Oxford at the Clarendon Press, Great Britain, 1970 ; Leggatt, Alexander, English Stage Comedy 1490-1990: Five Centuries of a Genre, Routledge, Londres e Nova Iorque, 1998 ; The Cambridge History of English Literature, ed. por Sir A. W. Ward e A. R. Waller, vol. 6: The Drama to 1642, Part II, Cambridge at the University Press, Londres, 1934

http://www.luminarium.org/sevenlit/jonson/index.html

http://www.geocities.com/SoHo/Bistro/1289/ben/Volpone.html

http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/Slavutzky.htm