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Culturalismo é um termo usado em estudos culturais que define a importância da vida humana diária no seu tempo e espaço próprios, como refere Terry Eagleton no seu ensaio “The Contradictions of Postmodernism” (1997):

Culturalism inflates the importance of what is constructed, coded, conventional about human life, as against what human beings have in common as natural material animals. (EAGLETON, 1997: 1)

Pode-se ainda interpretar culturalismo como um modo de identificação inerente a um individuo, sempre relacionado com a sua origem,

Culturalism is the idea that individuals are determined by their culture, that these cultures form closed, organic wholes, and that the individual is unable to leave his or her own culture but rather can only realise him or herself within it. (ERIKSEN, 2010)

com as suas afiliações pessoais e profissionais, opções de vida e outras características com as quais mais pessoas se podem identificar e, assim, formando involuntariamente um padrão identitário partilhado (EAGLETON: 16).  Contudo, Steven Vertovec refere que este termo está sujeito a refinamentos através de forças políticas, o que o definem dentro das suas linhas de filosofia (VERTOVEC 1999: 3).

Segundo Richard Johnson, e em termos académicos, entende-se por culturalismo a análise de padrões social e de comportamento de uma determinada sociedade através de práticas documentadas e (outros) documentos escritos, tal como implica um interesse amplo nas ideologias e suas perpetuações na cultura popular (LEWIS 2008: 91),

Culturalism, in this sense, suggests that a social group’s behavioural and social patterns can be revealed through the analysis of textual production and documented practices (…), [but] also implies a broader interest in questions of ideology and hegemony as they are articulated in popular culture. (LEWIS: 91)

analisando a forma como se transmite determinado conhecimento e através de que perspectiva(s), articulando assim ‘cultura’ e ‘civilização’ (STOREY 2009: 37).

{bibliografia}

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