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Quadra (pseudo-)biográfica humorística, com esquema rimático aabb, de métrica livre, e cujo conteúdo versa, geralmente, aspectos da vida de figuras famosas, nomeadamente históricas e literárias. Estas composições poéticas epónimas, a que o seu autor, E. (dmund) C. (lerihew) Bentley (1875-1956), chama “sort of nonsense verse” (Those Days, Constable & Co Ltd., Londres, 1940, p. 149) obedecem, normalmente, à seguinte estrutura: no final do primeiro verso é apresentado o nome/apelido da figura-alvo do poema, rimando o segundo verso com esse mesmo nome e os dois últimos versos entre si, padrões sonoros e semânticos estes que concorrem para o pendor humorístico dos poemas. Em 1890, Bentley, aos dezasseis anos de idade, redige, durante uma aula de Química na escola St. Paul’s (Londres), os seus primeiros clerihews, “b[ringing] into being a whole new dimension of the English comic jingle” (W. Leeming, in Paul Hogan et alii, The Annotated Clerihews, brief lines by Paul Hogan; effigies by Joseph Reed; introduction and notes by W. Leeming, The Practical Primrose Press, Middletown, 1984, p. 3). A forma destes light verses é considerada menos elaborada do que a do limerick, celebrando, geralmente, feitos ou qualidades de figuras conhecidas, amiúde em tom irónico, e recorrendo ao absurdo (características/factos/dados imaginários), como resume Gavin Ewart, enquanto critica a marginalidade a que o clerihew tem sido injustamente condenado, ao contrário do limerick: “inconsequential, often anachronistic, always biographical, these benignly satirical and absurdly amusing verses have been so wholeheartedly adopted in the literary world that their name has become part of our language […], the classical clerihew [….] is free from malice […], the element of absurdity was there from the first […], along with the challenge of names that were hard to rhyme, and it belongs to the clerihew – just as jollity, scurrility and sexiness belong to the classical limerick.” (E. Clerihew Bentley, The Complete Clerihews of E. Clerihew Bentley [CC], introdução de Gavin Ewart, Oxford University Press, Oxford, 1982, pp. i e xiv, respectivamente). Tal como James Elroy Flecker e Charles Scott-Moncrieff, G. K. Chesterton, colega de escola do autor, também escreve clerihews e ilustra Biography for Beginners (1905), a antologia de Bentley que contém o seu primeiro poema: “Sir Humphrey Davy/Detested gravy./He lived in the odium/Of having discovered sodium.” (CC, p. 38). Nas antologias do autor [Biography for Beginners (1905), More Biography (1929), Baseless Biography (1939)], destaca-se o seu único clerihew monorrimo, cuja dimensão humorística advém, sobretudo, da anacronia: “Caius Julius Caesar/Patented a lemon-squeezer,/Also a ice-cream freezer/And a chariot axle-greaser.” (CC, p. xx); sendo a arte de biografar também descrita numa outra composição: “The Art of Biography/Is different from Geography./Geography is about maps,/But Biography is about chaps.” (CC, p. 1).

W. H. Auden publica também alguns clerihews em Academic Graffiti, Faber and Faber, Londres, 1971, s. p.: “My first name, Wystan,/Rhymes with Tristam,/But – O dear! – I do hope/I’m not quite such a dope.”), tal como Emken [M. K. Naik] (Indian Clerihews: A Book of Light Verse, Writers Workshop Publication, Calcutá, 1989) e Henry Taylor (Brief Candles: 101 Clerihews, Louisiana University Press, Baton Rouge, 2000). Auden, na nota prévia de Academic Graffiti, s. p., afirma, como desculpando a qualidade poética dos seus clerihews: “About half of these clerihews were printed in my/volume Homage to Clio. I reprint them without shame/because I know that my verses are a small matter,/Compared to Fillipo Sanjust’s illustrations. W. H. A.” Kingsley Amis (ed.), The New Oxford Book of Light Verse, Oxford University Press, Oxford, 1992, pp. 208-209, inclui sete das composições de Bentley na antologia e o Oxford English Dictionary dedica uma entrada ao termo clerihew, apelido materno do seu criador que afirma sobre a generalização da designação: “I never heard who started the practice of referring to this literary form – if that is the word – as clerihew; but it began early, and the name stuck […] competitions have been held from time to time in the literary weeklies for the writing of best clerihew” (E. Clerihew Bentley, “Biography for Beginners”, Week-end Review, vol. 1: March-June 1930, pp. 193-95). Um mistery clerihew tem como tema uma personagem ou autor de uma história misteriosa, enquanto um cleriview consiste numa mini ‘recensão crítica’ (opinião) de uma obra, sendo estas composições consideradas poesia de cariz também popular (cf. Hypolite Schneider, passim Le clerihew anglais comme poésie populaire, Flammarion, Paris, 1959).

{bibliografia}

Arabesques & Clerihews, Beaconsfield, 1995; E. Clerihew Bentley, Biography for Beginners Being a Collection of Miscellaneous Examples for the Use of Upper Forms, with 140 diagrams by G. K. Chesterton, Londres, 1925 [1905]; idem, Baseless Biography, Nicolas Bentley drew the pictures, Londres, 1939; idem, The Complete Clerihews of E. Clerihew Bentley, introdução de Gavin Ewart, Oxford, 1982; idem, The First Clerihews, with G. K. Chesterton et alii, illustrated by G. K. Chesterton, Oxford University Press, Oxford, 1982; Emken [M. K. Naik], Indian Clerihews: A Book of Light Verse, Calcutá, 1989; Hypolite Schneider, Le clerihew anglais comme poésie populaire, Paris, 1959; John Waynflete (ed.), Clerihews by Various Hands, Cambridge, 1946 [1938]; Kingsley Amis (ed.), The New Oxford Book of Light Verse, Oxford, 1992, pp. 208-209; Nicolas Bentley, A Version of the Truth, Londres, 1960; Paul Hogan et alii, The Annotated Clerihews, brief lines by Paul Hogan; effigies by Joseph Reed; introduction and notes by W. Leeming, Middletown, 1984; Walter Mee e Ann Spano, Contributions to the Clerihew Dictionary of National Biography, Richmond, 1980; W. H. Auden, Academic Graffiti, illustrated by Filippo Sanjust, Londres, 1971.