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Uma aplicação pós-moderna da ideia de descentralização do sujeito é o conceito e a prática do hipertexto ou texto electrónico: um texto não é mais um alinhamento linear/horizontal/hierárquico de palavras — agora, um texto é um espaço aberto a outros textos entrelaçados e interligados, que podemos navegar, des-construir, re-construir ou abandonar de várias formas. O tempo e o espaço de vida de um texto são marcados hoje pela instabilidade. O sujeito inscrito num hipertexto não mais funciona como o seu centro estável e referenciável, como acontece num texto impresso tradicionalmente. A virtualidade de um texto é então sinónimo do processo de descentralização do sujeito desse texto com o produto criado. O facto desse texto poder ser manipulado electronicamente por qualquer outro sujeito (leitor, autor ou ambos ou mesmo nenhum) conduz à possibilidade (não virtual) de simples destruição da marca de subjectividade original — o leitor de um dado hipertexto pode superar a marca de subjectividade nele anteriormente inscrita e colocar a sua própria marca, e assim indefinidamente. Este fenómeno acentua, naturalmente, a ideia de uma distância irreversível do sujeito com o texto.

{bibliografia}

http://tempest.english.purdue.edu/NA/na.5.subjectivity.html