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Lorenço Gracián (de nome verdadeiro, Baltasar Gracián), em Arte de ingenio, tratado de la agudeza en que se explicam todos los modos y diferencias de conceptos (1ªed., 1642; Agudeza y arte de ingenio, é o título da versão definitiva em 1648), apresenta a agudeza como um dos processos para atingir o ideal literário barroco chamado “discurso engenhoso”, estilo de referência para o conceptismo espanhol do século XVII. Segundo António José Saraiva, o discurso engenhoso opõe-se ao discurso clássico. “Para o primeiro, as palavras não são representantes, mas seres absolutos, nos quais não se distingue significante de significado e que existem independentemente da relação com os seus referentes. A orgânica do discurso consiste em tirar de determinada palavra, por meio da análise lexicológica e gramatical, um número indefinido de outras palavras, que se organizam segundo as leis de uma composição, decorrente mais de uma estética geométrica do que de uma geometria dedutiva.” (O Discurso Engenhoso: Ensaios sobre Vieira, Gradiva, Lisboa, 1996, p.152).