Select Page

Canção triunfal para celebrar uma vitória. O género foi inventado pelos gregos antigos, por ocasião dos Jogos Olímpicos, para enaltecer os atletas vencedores. Podia ser cantado quando os heróis regressavam às suas terras natais, transportando a glória nacional que seria partilhada pelo seu povo; quando decorria a procissão solene para o templo onde se consagravam os vencedores; ou durante o grande banquete de glorificação dos vencedores olímpicos. Os poetas que se destacaram neste género foram Simónides e, acima de todos, Píndaro, cujos epinícios possuem uma estrutura que é descrita por Albin Lesky da seguinte forma: “Quase todos os epinícios denunciam a presença de determinados elementos na sua estrutura. Segundo a finalidade do canto, há alusões ao vencedor, à sua família e aos seus méritos desportivos noutras festas. Há escassas referências ao decorrer da própria competição. (…) Uma segunda componente, de expansão muito variada, mas, regra geral, com uma enérgica necessidade de espaço, é o mito. (…) A inclusão do mito corresponde a diversos pontos de vista. Pode estar relacionado com o lugar do triunfo, como sucede frequentemente nas odes para Gregos ocidentais, que pouco possuíam de mitos representativos; outras vezes, o ponto de partida era oferecido pelas circunstâncias da vida do vencedor, ou então o mito posto em profunda conexão com o vencedor e como grande exemplo para este. (…) Como terceiro elemento constitutivo, encontramos a sabedoria gnómica. Percorre cada poema, aparecendo uma e outra vez sob a forma de máximas. Regra geral, o poeta insinua que, ao recorrer a ela, exprime o seu pensamento próprio. Assim, estes elementos gnómicos estão estreitamente relacionados com outros que só com estas restrições delimitamos como quarto grupo: expressões pessoais de Píndaro que anunciam principalmente a dignidade e a tarefa da sua profissão de poeta, mas que muitas vezes se elevam à altura de um hino para se transformarem em expressão da religiosidade do artista.” (História da Literatura Grega, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1995, p.228). Os epinícios de Simónides não são tão perfeitos como os de Píndaro, mas possuem idêntica estrutura e temática, como neste excerto: “Pois quem / no nosso tempo se cingiu, em tantas vitórias / com folhas de mirto ou coroas de rosas, / numa luta da gente destes sítios?” (frg. 21, Diehl, in Hélade: Antologia da Cultura Grega, de Maria Helena da Rocha Pereira, 5ª ed., Coimbra, 1990).

{bibliografia}

M. R. Lefkowitz: The Victory Ode (1976); W. Mulen: Choreia (1982).