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Termo de origem grega utilizado em retórica, que significava o costume, o hábito, o carácter que o escritor ou orador adoptava para dar uma imagem dele mesm que inspirasse confiança no público; designa igualmente uma descrição explícita alusiva dos costumes da época.

Em Teogonia (66), Hesíodo refere que éthos está ligado a nómos costume , convenção, instituição, lei). Nómos aparece muitas vezes associado a éthos, mas representando o mesmo sentido nas Leis (VII 792 d-e) de Platão. Podendo do mesmo modo, significar carácter ou maneira de ser como o referido Autor refere em A República (VI 490 c). Na Poética, Aristóteles fazia corresponder o seu significado ao que hoje designamos por psicologia das personalidades. Éthos é, assim, assimilado a uma ordem normativa interiorizada, a um conjunto de máximas éticas que regulam a conduta da vida. Ao longo da sua extensíssima obra Aristóteles várias vezes se refere a este conceito tendo na Ética de Nicómaco (II 1, 1103 a) feito a distinção entre dois tipos de virtudes: as virtudes do pensamento (dianõetikaí) que se adquirem pelo ensino, e as virtudes do carácter (ethikaí) que se adquirem pelo hábito e por conseguinte requerem paciência e tempo. Na Retórica (II 12-14) faz o levantamento de diferentes tipos de êthes em função particularmente da idade.

A pronúncia e o conceito da palavra éthos tem vindo a sofrer alterações ao longo do tempo. Designada também por ithos, em francês é considerada um arcaísmo. Modernamente o significado corresponde mais propriamente a pathos (v.) que a tradição opunha a ithos. Hoje o conceito de éthos é aplicado também à atmosfera afectiva de uma obra ou uma categoria estética. O que não deixa de levantar alguma polémica , dado que para ser experimentado um estado afectivo tem necessidade de um sujeito. Ora sendo o maior problema do conceito de éthos o seu carácter objectivo, e estando a reacção afectiva de um sujeito, ou a sua não reacção, depende não só da sua personalidade (mais ou menos sensível ao belo, ao patético, ao pitoresco, ao cómico ou ao trágico) mas também às influências das tradições culturais e do meio que sobre ele actuam. Fácil é deduzir que estes aspectos são determinantes e fazem variar os sujeitos e a sua apreciação perante as obras. No entanto, os elementos objectivos, que são componentes essenciais do éthos têm vindo a ser beneficiados por esta heterogeneidade de sujeitos, que acabam por realçar a importância da estrutura interna da obra e do modo como essas forças actuam.

{bibliografia}

A. L. Epstein: Éthos and Identity (1978); Aristóteles: Poética (1990); Italo Maucini: L’ethos dell’occident (1990); James Baumlin e Tita Baumlin (eds.): Ethos: New Essays in Rhetorical and Critical Theory (1994); Jonh C. Weaver: “The Concept of Ethos in Tudor Rhetorical Theory and Practice” (Tese de Doutoramento, Universidade de Purdue, 1993); Mario Bizzoto: la rinascita dell’etica (1987); Mark H. Geller (ed.): Identity and Ethos (1986); Vicent Frederick Gugino: On Ethos (Tese de Doutoramento, State University of New York, Bufffalo, (1992); Werner Marx: Ethos und Lebenswelt (1986).