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Expressão que se vem difundindo a partir da língua inglesa, juntamente com a sua correlata teoria crítica (esta última, por sinal, não se deve confundir com a expressão alemã Kritisch Theorie, utilizada como designação geral dos trabalhos de sociologia e filosofia da chamada escola de Frankfurt). Partilha-se assim a área do criticism em dois setores, que se propõem como disciplinas distintas e interligadas: a teoria crítica (critical theory) sistematiza um saber geral sobre a literatura, enquanto a crítica prática (practical criticism) consiste na aplicação desse saber à análise de obras específicas. Segundo essa perspectiva, crítica prática é termo equivalente a análise, crítica (no sentido de estudo de certa obra em particular) e leitura (ou leitura analítica).

Se quisermos agora especular sobre o enraizamento da expressão no espaço acadêmico anglo-norte-americano, parece razoável vincular sua difusão ao prestígio de I. A. Richards, que em 1929 publicou um livro intitulado precisamente Practical criticism (recém-traduzido — 1997 — com o título A prática da crítica literária). Pode-se ainda fazer uma associação entre as raízes inglesas do termo e uma das idéias centrais do new criticism — corrente dos estudos literários tão representativa do mundo anglófono na primeira metade do século XIX, e de que, aliás, I. A. Richards constitui uma das fontes — , segundo a qual a consideração analítica de textos particulares — isto é, a crítica prática — deve ter precedência sobre a teoria crítica, na medida em que esta não passaria de generalizações obtidas por indução a partir do exercício daquela. É possível, por fim, ampliando o âmbito da especulação, entreouvir na expressão crítica prática alguma ressonância do pragmatismo, concebido não propriamente como sistema filosófico especificável, mas, latissimo sensu, como uma espécie de a ent que trai sua feição anglo-norte-americana.

{bibliografia}

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