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Actantes centrais da narração, segundo o
modelo estrutural de A. J. Greimas. Em Sémantique structurale
(1966), Greimas analisa a correspondência entre o Sujeito e o
Destinador e o Objecto e o Destinatário dentro de uma narrativa,
confrontando os modelos de Propp (Morfologia do Conto,
1928) e de Souriau (Les deux cent mille situations
dramatiques
, 1950). Numa estrutura actancial,
"la relation entre le sujet et l’objet (…apparaît) avec un
investissement sémantique (…), celui du ‘désir’. Il semble
donc possible de concevoir que la transivité, ou la relation
téléologique
(…) située sur la dimension mythique de la
manifestation, apparaisse, à la suite de cette combinaison
sémique, comme un sémème réalisant l’effet de sens ‘désir’."

(Greimas, 1966, pp.176-177). A relação Sujeito/Objecto
denuncia uma relação de junção, pois o Sujeito existe na forma
como se relaciona com o Objecto. Este tipo de relação
articula-se em disjunções (S È O) e conjunções (S  Ç O),
conforme o contrato relacional estabelecido entre os dois
actantes. Em Sémiotique: Dictionnaire raisoné de la théorie
du langage
(1979), A. J. Greimas e J. Courtés estabelecem
uma complexa (e tenuamente explicada) tipologia de sujeitos,
segundo a sua função no discurso: 1a) sujeito de estado (sujet
d’état
), inscrito numa tradição filosófica mais metafísica e
caracterizado pela relação de junção com o objecto e 1b)
sujeito de fazer
(sujet de faire) que se define pela
relação de transformação; 2a) sujeito pragmático e 2b)

sujeito cognitivo, conforme os valores que designam; 3a)
sujeito sintáctico
, que se descobre na sintaxe narrativa e
3b) sujeito semiótico, que se revela num modelo
hipotético de organização da narrativa; 4a) sujeito
performador
por oposição a um 4b) sujeito competente,
que supostamente todo o esquema narrativo pressupõe. Greimas
perfilha ainda a correspondência de J.-C. Couquet (1973) para os
quatros tipos de sujeito: 1) "eu +", 2) "eu —", 3) "se"
(correspondendo ao francês on), e 4) "isto" (=ça).
O objecto merece dos autores de Dictionnaire
raisoné de la théorie du langage
uma definição não menos
obscura: "ce qui est pensé ou perçu en tant que distinct de
l’acte de penser (ou de percevoir) et du sujet qui le pense (ou
le perçoit)" (s.v. "Objet"). Esta entidade apenas tem
existência fundamentada enquanto fizer parte de uma relação
bilateral com o sujeito, que será sempre um sujeito que quer
conhecer algo (o objecto de conhecimento ou a conhecer). Dentro
deste espírito estruturalista, também o objecto é sujeito a uma
tipologia própria (praticamente apenas nomeada): 1) objecto
semiótico
(empréstimo de L. Hjelmslev — Le Langage,
1966; Prolégomènes à une théorie du langage, 1971), 2)

objecto sintáctico, 3) objecto de estado, 4)
objecto de fazer
e 5) objecto de valor, que parece
ser o motor de ligação e de disjunção entre sujeito e objecto.
No modelo greimasiano, dois actantes podem desempenhar a mesma
função (Sujeito/Destinador, por exemplo), embora a situação
típica seja a de uma personagem conduzida pela sua própria acção
(um Sujeito/Destinador em busca de um Objecto para o
Destinatário). Os que ajudarem o Sujeito nessa busca serão
designados Adjuvantes; os que o tentarem impedir de ser bem
sucedido serão designados Oponentes.

{bibliografia}

A. J. Greimas: Les actants, les acteurs et les figures, in: Sémiotique narrative et textuelle, ed. C. Chabrol (1974); J.-C. Coquet: "La relation sémantique sujet-objet", Langages, nº31 (1973); J. Courtés: Introduction à la sémiotique narrative et discursive: méthodologie et application (1976); Terence Hawkes: Structuralism and Semiotics (1977).