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Termo inglês usado, consoante os autores, como sinónimo de enredo ou como sinónimo de enredo ou como sinónimo de argumento, e aplicável quer a um texto dramático quer a um texto narrativo.

Entendendo por enredo a sequência lógica e cronológica dos acontecimentos dentro de um esquema dinâmico concebido pelo autor com base nos comportamentos humanos por ele captados, é essa mesma instância que o termo plot designa na terminologia de críticos como Elder Olson e Eric Bentley.

Verificamos, porém, que outros críticos utilizam essa designação para referirem uma outra instância: a transposição desse esquema dinâmico para o próprio texto, implicando uma reorganização que muitas vezes se traduz na quebra da sequência cronológica, através da introdução de elipses, prolepses e analepses. Trata-se de uma outra acepção do termo, passível de ser traduzido, neste caso, por argumento. Keir Elam e Marjorie Boulton incluem-se nos críticos que lhe atribuem este sentido. A polissemia que desde há muito afecta o termo plot não se resume, no entanto, a esta dupla acepção. Se nos reportarmos a aspects of the Novel. M. Forster, concluimos que a distinção por ele estabelecida entre “story” e “plot” não coincide com a diferença que assinalámos entre enredo e argumento. É esta a sua definição.”We have defined a story as a narrative of events arranged in their time-sequence. A plot is also a narrative of events, the emphasis falling on causality” (Penguin, 1976, p. 87).

Depreende-se, assim, que para este autor a ênfase na causalidade (e não a reorganização sequencial dos acontecimentos) é o que verdadeiramente diferencia o “plot” daquilo que designa por “story”.

Recuando no tempo, e fixando-nos numa das primeiras obras a empreender uma definição das instâncias constitutivas do universo dramático, deparamos com a seguinte afirmação, feita por Aristóteles na Poética: “ora a fábula é imitação da acções … as acções e a fábula constituem a finalidade da tragédia, e a finalidade é tudo o que mais importa. Sem acção não poderia haver tragédia, mas podê-la-ia haver sem caracteres”. E mais adiante: “É pois a fábula o princípio e como que a alma da tragédia” (Guimarães Editores, 1964, p. 111).

Aristóteles designa, pois, por fábula a imitação de acções. Mas é já no texto grego que o termo acção parece como fonte de ambiguidades, uma vez que Aristóteles utiliza um só vocábulo para designar quer a acção a imitar quer a acção imitativa. Trata-se do termo grego “mythos”, que na primeira acepção surge geralmente traduzido por mito e na segunda acepção por fábula. A utilização da palavra mito tem naturalmente a ver com a própria natureza do drama grego a que o autor se referia: um drama profundamente ligado a determinados mitos que faziam parte da cultura grega. Por outro lado, o uso da palavra latina fabula por traduzir a acção imitativa foi introduzida por Valla, Paccius e Victorius no séc. XVI. Até então o termo fabula fora utilizado, nomeadamente por Terêncio, para referir uma comédia ou, num sentido mais amplo, qualquer história de carácter ficcional. Quando Aristóteles afirma que a fabula é imitação de acções, o termo acção comporta, neste caso, o sentido mais usual, funcionando como sinónimo de actos e comportamentos humanos, e sendo a fabula a sua correspondente mimética para efitos da representação dramática. refira-se que em muitas obras recentes sobre o drama se continua a utilizar o termo fabula, embora num sentido diferente do aristotélico. Gilles Girand, por exemplo, considera ser a fabula o universo dos papéis assumidos por personagens numa peça, distinguindo-se da partitura na medida em que esta respeita a ordem pela qual os acontecimentos aparecem na obra e a sequência das informações pelas quais nos são transmitidos tais acontecimentos. Por outras palavras: a fabula é a trama dos acontecimentos na sua ordem lógica e cronológica (o enredo), enquanto que a partitura é a transposição e reorganização da mesma dentro do texto. Esta sequência dos acontecimentos tal como aparece no texto tem recebido as mais diversas designações. O termo partitura, preferido por Girard, que usa também por vezes a palavra argumento, corresponde ao termo proposto por Tomachevski e traduzível por assunto. Outros preferem chamar-lhe intriga (é o caso de Bourneuf e Ouellet) e os formalistas russos chamaram-lhe sjuzhet. Esta última designação, que corresponde, portanto, à noção de argumento, é geralmente traduzida em inglês por plot, consignando-se assim uma das acepções mais correntes na utilização deste termo.

{bibliografia}

Aristóteles, Poética, 1964; E. M. Forster, Aspects of the Novel, 1927; Elder Olson, “The Elements of Drama: Plot” in J. Calderwood (ed.) Perspectives on drama, 1968; Elizabeth Dipple, Plot, 1970; Eric Bentley, The Life of the Drama, 1965; Gilles Girard, O Universo do teatro, 1980; Keir Elam, The Semiotics of Theatre and Drama, 1980; J. Arthur Honeywell: "Plot in the Modern Novel", in Essentials of the Theory of Fiction, ed. por Michael J. Hoffman e Patrick D. Murphy (2ºed., 1996); Jurij M. Lotman: "The origin of plot in the light of typology", Poetics Today, vol.1, nº1/2 (1979); Peter Brooks: "Reading for the plot", in Essentials of the Theory of Fiction, ed. por Michael J. Hoffman e Patrick D. Murphy (2ºed., 1996); R. Scholes e Carl H. Claus, Elements of Drama, 1971; Steen Jansen, Esboço de uma Teoria e Literatura, s/d.; Tomachevski, “Temática”, in Todorov: Teoria da Literatura, s/d.