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Troca verbal intersubjectiva, in praesentia, entre pelo menos dois falantes. Toda a situação de comunicação linguística pressupõe a existência de um falante ou locutor que troca informação com um interlocutor ou alocutório, num dado contexto situacional. Este tipo de comunicação verifica-se no quotidiano, estando presente em todos os actos linguísticos, como as telecomunicações, por exemplo. Numa conversação telefónica, numa conversação cibernáutica simples ou numa conversação por videoconferência, por exemplo, a situação de comunicação baseia-se na troca de mensagens de um ponto para outro, na condição da mensagem estar linguisticamente codificada. Esta condição não é diferente numa situação comunicacional mais simples: em qualquer caso, a codificação da mensagem refere-se à organização dos termos que a compõem num sistema lógico de signos reconhecíveis (descodificáveis) por um grupo de falantes. A codificação da mensagem na comunicação linguística é um processo convencional que se preestabelece entre os falantes de uma língua.

A linguística estrutural tem proposto conhecidos esquemas da comunicação linguística, que envolvem a existência de um emissor ou destinador e um receptor ou destinatário, que trocam entre si uma mensagem, inscrita num código, e que, através de um canal de comunicação ou contacto, permite estabelecer a comunicação num dado contexto. É Roman Jakobson quem nos sugere o seguinte esquema:

Contexto

Remetente —— Mensagem —— Destinatário

Contacto

Código

Cada um destes factores da comunicação linguística corresponde a uma função da linguagem: expressiva (emissor), referencial (referente), apelativa ou conativa (receptor), fática (canal ou contacto), metalinguística (código) e poética (mensagem).

Umberto Eco (1968) propõe um outro esquema para o processo da comunicação linguística, aproximando-o dos processos utilizados numa comunicação entre aparelhos mecânicos, um rádio, por exemplo:

RUÍDO

FONTE TRANSMISSOR SINAL CANAL SINAL RECEPTOR MENSAGEM DESTINATÁRIO

CÓDIGO

No exemplo da comunicação radiofónica, a analogia com a comunicação linguística estabelece-se facilmente se fizermos corresponder a fonte informativa ao emissor da mensagem, que se serve de um transmissor (o microfone e respectivo amplificador de som), convertendo a mensagem em sinais físicos que, através de um canal (ondas hertzianas), chegam ao aparelho receptor que as volta a converter em mensagem audível que o destinatário descodificará de acordo com um código que conhece. Embora o esquema de Eco apenas se refira à situação comum de comunicação conseguida entre emissor e receptor, o facto é que a comunicação radiofónica não implica necessariamente o reconhecimento do código em que a mensagem foi transmitida, pois é possível captar inúmeras mensagens em variadíssimos códigos que o destinatário pode não dominar. O que é certo é que o conhecimento do código é uma condição fundamental para que a comunicação se estabeleça com êxito. Outros factores exteriores ao processo de comunicação podem interferir prejudicando o entendimento da mensagem transmitida: são os ruídos, que tanto podem ter origem no aparelho emissor como no aparelho receptor.

O que não é certo é que o fenómeno geral da comunicação se circunscreva ao simples envio de sinais de um emissor para um receptor, de acordo com a intenção expressa por esse emissor de estabelecer um acto de comunicação. Esse é o ponto de vista de alguns semióticos da comunicação como Buyssens (1967) e Prieto (1975), mas o processo não é universal e admite muitas situações em que a comunicação se estabelece sem ser motivada pelo desejo do emissor. Por exemplo, um olhar, uma postura, um gesto, uma palavra, um som, uma imagem… podem transmitir um determinado sinal significativo que não foi desejado pela fonte emissora desse sinal. Um quadro raramente comunica a quem o observa exactamente aquilo que o seu autor premeditamente quis comunicar, pintando. Há comunicação não quando há desejo de comunicar para um outro expectante (em relação àquilo que dizemos ou fazemos), mas quando e sempre que agimos, e o que fazemos influencia de algum modo alguém que estabeleceu um contacto presencial connosco. (O estar-presente é uma condição fundamental para que o processo de comunicação linguística se realize e não deve circunscrever-se à presencialidade física entre os comunicantes, porque a comunicação pode inaugurar-se numa esfera metafísica, por exemplo, para um crente, é possível estabelecer um certa forma de comunicação com Deus, que ultrapassa necessariamente o mundo fenomenal.)

{bibliografia}

Eric Buyssens: La Communication et l’articulation linguistique (1967); Luis J. Prieto: Études de linguistique et de sémiologie générales (1975); Roman Jakobson, Essais de Linguistique Générale, vol. 1 (1963, reimp. em 1986); Linguística e Comunicação (São Paulo, s.d.), Roberto S. C. Moreira: Teoria da Comunicação (1979); Umberto Eco: La struttura assente (1968).

http://www.ces.uc.pt/publicacoes/rccs/001/001_3.php

http://ubista.ubi.pt/~comum/fidalgo-logica-com.html