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Termo cunhado por T.S Eliot, designa um conjunto de elementos – sucessão de acontecimentos, situações, objectos – que concretizam, num texto, as emoções que a obra procura veicular e desta forma as transmitem, inevitavelmente, ao leitor. O termo é simultaneamente descritivo e prescritivo – Eliot defende a sua necessidade na composição de um texto literário e cria o conceito, no seu ensaio “Hamlet” (1919), como critério para desvalorizar esta peça de Shakespeare. Segundo o crítico, é uma obra falhada e inconsistente, pois são nela evocados inúmeros sentimentos que o dramaturgo não objectiva ou fundamenta.

Recorde-se, para situar esta posição de Eliot, que a sua dita “poética da impersonalidade” procura afastar-se, a um tempo, do solipsismo e do realismo, e fundar-se plenamente no texto – que deve ser, em consequência, um dispositivo uno e auto-suficiente, um “sistema de impressões” perfeitamente eficaz (“The Perfect Critic”, p.57). Note-se, de passagem, que na definição de “correlativo objectivo” está implicada a possibilidade de criar uma fórmula verbal plena de significado, isto é, despida de quaisquer ambiguidades. Devemos inserir esta ideia na procura, característica do modernismo, de um estilo funcional – isto é, não decorativo (veja-se, afastando-nos do campo literário para o arquitectónico, o ideário estético de Le Corbusier). A este propósito, o facto de Eliot defender as opções formais do autor como forma de despertar inevitável e automaticamente emoções particulares no leitor (“Hamlet”, 145), lembra a definição poundiana da poesia como “matemática inspirada” (The Spirit of Romance, 1968, p.5). Como se poderá perceber, este conceito – e a apologia, em termos mais gerais, da “objectividade” e ordem – é um ponto de encontro teórico entre o classicismo e o modernismo que compõem tanto a poética como a crítica de Eliot. Podemos situar o “correlativo objectivo” numa linha de conceitos (com início na “justa medida” horaciana) que procuram fundamentar teoricamente a limitação dos excessos, isto é, visam disciplinar o gosto.

{bibliografia}

T. S. Eliot, “Hamlet”, in Frank Kermode (ed.): Selected Prose of T.S. Eliot (1975), “The Perfect Critic”, in idem.