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Termo do jargão jornalístico, onde se define como material informativo, distribuído aos jornalistas para servir de pauta, proposta de assunto, roteiro, “press release ou “release” (em vernáculo, “soltar”, “lançar”, “divulgar” pela imprensa) significa um comunicado de imprensa para, oficialmente e com documentação apropriada, informar, anunciar, contestar, esclarecer ou responder sobre algum fato que envolva, positivamente ou não, o veículo em questão. O sintagma “press release” surgiu como título comum que inaugurava, nos Estados Unidos, os comunicados jornalísticos: “for immediate release“, ou “para divulgação imediata”.

Já em termos literários, o release constitui um gênero de texto que, sob determinado signo retórico, visa ao mercado, tendo, portanto, uma função essencialmente pragmática e assumindo, de maneira aberta, o caráter de lançamento de produto, livro, peça teatral, filme, festival, um evento, enfim, para o qual se convoca a população ou o segmento de leitores do jornal, revista, site, blog ou portal da Internet.

Como breve exemplo de release, que é em si mesmo um texto breve, intertextualizo, precisamente, um texto colhido na Internet e intitulado “Algosobre”:

“Cada vez mais a internet vem tornando conta da população mundial. Hoje o número de pessoas conectadas a rede é quase 9 milhões só no Brasil. Isso significa que existem cada vez mais pessoas buscando informações e conhecimentos nos mais diversos assuntos.

O tema educação à distância vem se destacando e a rede oferece bons sites nessa área. Um exemplo é o site algosobre totalmente voltado para assuntos educacionais e seu público-alvo são alunos do ensino fundamental, médio e até superior.

Com acesso gratuito, o portal possibilita ao internauta pesquisar matérias fundamentais para o dia-a- dia escolar, abrangendo disciplinas como biologia, espanhol, física, geografia, gramática, história, inglês, literatura, matemática, química e redação, sem contar com as biografias dos grandes nomes da historia mundial. Além da preocupação pedagógica, o site oferece, como forma de diversão e entretenimento, poemas, contos, poesias, cifras, além da possibilidade de o internauta enviar suas próprias poesias e poemas para serem publicados.

O portal possui uma área voltada para os pré-universitários como exercícios resolvidos, simulados, matérias atualizadas sobre política, novas descobertas da ciência, enfim, tudo que envolve o universo educacional com a finalidade de deixar o usuário bem informado, obras literárias para download e explicações sobre cursos oferecidos por universidades, campo de atuação e piso salarial” .

Do exemplo supra depreendem-se as qualidades, mutatis mutandis, do release ou, melhor dizendo, sua estrutura, que implica a informação sobre os dados relativos ao objeto estético lançado ou que se promove, como: local do evento, horário de realização, mapa de chagada, possibilidade de estacionamento, pessoas de contatos, números de telefones, endereço eletrônico, página da web, preço do ingresso, gratuidade total ou para faixas da população (idoso, estudante, criança). Se essa estrutura se refere a um evento, ela deverá ser usada, com supressões ou acréscimos, em release a respeito de outros objetos estéticos, como livro, por exemplo. No caso de lançamento de um livro, a estrutura é a de um evento, que pode, inclusive, estampar a capa do livro.

Quanto à retórica propriamente dita, o release, redigido sempre em estilo direto e objetivo, ocupar-se-á daquela função retórica mais clássica: a sedução, calcada numa argumentação sutilmente convincente, a partir, sobretudo, de um título, que chame a atenção do leitor ou internauta, tantas vezes distraído no labirinto de apelos, textuais e imagéticos de nossa contemporaneidade.

Com certeza, o gênero release deve fazer parte das oficinas literárias que proliferam, por exemplo, Brasil afora; seria uma moda e, como toda moda, algo passageiro? Trata-se, com efeito, de sinal dos tempos, quando o objeto estético assume, escancaradamente, na cibercultura, seu caráter mercadológico. Nos anos 80, quando havia no mestrado em Teoria Literária a disciplina “Oficina Literária”, seu titular, o famoso escritor mineiro Cyro dos Anjos (1906-1994), nem de longe referia o release, até porque, àquela época, o computador, imenso veículo de divulgação, não tinha, ainda, invadido acintosamente os lares brasileiros. Hoje, fazer release é preciso. Desde a Poética, de Aristóteles, sabemos que são mutantes os gêneros literários, que representam avatares do texto.