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Actantes nucleares da narração, segundo o modelo estrutural de A. J. Greimas, também designados enunciador e enunciatário, quando implicitamente pronunciados, narrador e narratário, quando explicitamente mencionados, e interlocutor e interlocutário, numa situação de comunicação simultânea, por exemplo, um diálogo (cf. Sémiotique: Dictionnaire raisoné de la théorie du langage, ed. por A. J. Greimas e J. Courtés, 1979). Na acepção narratológica, Greimas prefere assinalar estes actantes com inicial maiúscula (mesmo que ele próprio o não assinale por vezes nos seus textos teóricos e mesmo que não seja coerente com o uso da maiúscula inicial em relação aos restantes actantes do modelo estrutural; precisamente para salvaguardar esta coerência, optámos por registar sempre as designações dos actantes com a maiúscula inicial): o Destinador e o Destinatário são os actantes "estáveis e permanentes" da narração. Em Sémantique structurale (1966), Greimas analisa a correspondência entre o Destinador e o Sujeito e o Destinatário e o Objecto dentro de uma narrativa, confrontando os modelos de Propp (Morfologia do Conto, 1928) e de Souriau (Les deux cent mille situations dramatiques, 1950). A introdução destes actantes é dada em função da existência de um Objecto ou do desejo de um Objecto.

Anne Hénault esclarece as limitações da correspondência forçada por Greimas a partir do modelo de Propp: “Le couple Destinateur/Destinataire est comparable à la relation S/O en ce qu’il incarne une directionnalité, le Destinataire étant la ‘cible’ au sens où l’entendent les publicitaires. Mais ce deuxième couple actanciel est beaucoup plus chargé, sémantiquement, que le premier. Il inclut, par exemple, la catégorie Nature/Culture. (…) Les Actants Destinateur et Destinataire sont moins constants que le Sujet et l’Objet, supports obligatoires de l’acte même d’asserter. La présence de la catégorie Destinateur-Destinataire connote toujours un univers de discours plus anthropomorphe où l’action se trouve en quelque sorte ‘autorisée’ (sens latin de l’auctoritas) et garantie axiologiquement.” (Narratologie, Sémiotique générale – Les enjeux de la sémiotique: 2, P.U.F., Paris, 1983, p.68ss). Hénault parte, assim, para uma outra distinção entre Destinador e Destinatário, que pressupõe dois modos existenciais: “1) Le Sujet de faire qui reçoit du Destinateur un objet cognitif, la connaissance de ‘acte `a accomplir.; 2) Le Destinataire final [a que chama “sujet d’état”] (communnauté en danger, individu menacé ou opprimé) pour le compte de qui agit le héros.” (ibid., p.68).

Na teoria da comunicação linguística descrita por R. Jakobson (Essais de linguistique générale, 1963), o Destinador corresponde àquele que emite uma mensagem, isto é, ao emissor de um enunciado, e o Destinatário corresponde ao receptor dessa mensagem.

Na comunicação literária, o destinatário é aquele a quem se dirige a obra, podendo ser uma personagem de ficção, uma personagem histórica (como D.Sebastião para Os Lusíadas), uma figura não humana (como a Galiza, a quem Teixeira de Pascoaes dedica o poema Maránus), ou uma personagem familiar (comum nas dedicatórias a amigos ou familiares). O destinatário pode ser externo ao texto, como acontece com nos casos das dedicatórias a figuras que não participam na acção ou na matéria literária das obras, por exemplo quando se dedica a obra a um amigo, aos pais, aos filhos, etc. O leitor, enquanto entidade última da recepção da obra de arte literária, deve ser considerado o destinatário mais privilegiado.

{bibliografia}

A. Hénault: Narratologie: Sémiotique générale (1983); A.
Greimas: Sémantique structurale, (1966); C. Chabrol (ed.):
Sémiotique narrative et textuelle
(1974); E. Benveniste:
Problèmes de linguitisque générale
(1966); J. Courtés:

Introduction à la sémiotique narrative et discursive (1976);
O. Ducrot et al.: Qu’est-ce que le structuralisme?

(1968);  Terence Hawkes: Structuralism and
Semiotics. London: Methuen, 1977.

 

http://www.arts.gla.ac.uk/www/english/comet/others/glasgrev/rudz.htm