Como Seamus Perry explica em “Romanticism: The Brief History of a Concept” (1998), o romantismo trata-se de uma classificação literária e histórica referente a determinados escritores e escritos do final de setecentos e início de oitocentos, assim como as ideias centrais que surgem nestes (e noutros, já posteriores) trabalhos (3). De acordo com Iain McCalman, editor de An Oxford Companion to the Romantic Age. British Culture 1776-1832 (1999), a ideia do romantismo como um movimento cultural e uma prática estética distintivos terá tido a sua origem na Alemanha de finais de setecentos, local onde um conjunto de jovens artistas e intelectuais liderados por Friedrich Schlegel (1772-1829) se opôs simultaneamente às Guerras Revolucionárias Francesas (1792-1802) e aos valores estéticos dominantes provenientes de França (1-2). De um modo geral, Schlegel e os seus seguidores exaltaram o papel expressivo e imaginativo do artista, por oposição ao estilo formal e mimético do classicismo francês, a religião e o sentimento, rejeitando o materialismo iluminado dos filósofos francófonos, e o orgânico, particular e histórico, colocando de lado as abstracções universalistas do racionalismo proveniente de França (McCalman 1). Contudo, como McCalman constata, ainda que o romantismo alemão, a par do seu projecto anti-classicista e francófobo, se tenha demonstrado profundamente influente na Europa e, mais especificamente, na Grã-Bretanha, o inglês Thomas Holcroft (1745-1809), que escreveu romances românticos, pode ser caraterizado como marcadamente racionalista, francófilo e revolucionário (McCalman 1). De igual modo, Percy Shelley (1792-1822), um dos mais influentes poetas românticos ingleses, possuía uma maior afinidade com François-Marie Arouet, Voltaire (1694-1778), Constantin François de Chassebœuf, comte de Volney (1757-1820) e Paul-Henri Thiry, Barão d’Holbach (1723-1789) do que com Schlegel ou Georg Philipp Friedrich von Hardenberg, Novalis (1772-1801). Por fim, William Wordsworth (1770-1850), o romântico britânico por excelência – de acordo com McCalman –, no prefácio de Lyrical Ballads, With a Few Other Poems (1800), atacou a extravagância, o excesso e a estimulação conectados aos romances góticos e aos poemas dos Della Cruscans (McCalman 1-2).
Para compreender o romantismo, especialmente no modo como surge aplicado à história literária das ilhas britânicas, onde se desenvolve com particular complexidade, será necessário referir que se trata de uma invenção póstuma, já que os românticos não sabiam que o eram (Perry 4). De facto, os escritores da época viram-se classificados de modos díspares pelos críticos contemporâneos, com Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) e Robert Southey (1774-1843) a serem associados à “Lake School”, George Gordon Byron, Lord Byron (1788-1824) à “Demonic School” e James Henry Leigh Hunt (1784-1859) e John Keats (1795-1821) à “Cockney School”, mas a noção de romântico, apesar de existir, não possuía o significado que actualmente lhe é atribuída (Perry 4). Aliás, como esclarece Ian Jack, Wordsworth, Byron, Shelley e Keats não entendiam os seus poemas como românticos e não se teriam sentido particularmente lisonjeados se soubessem que a sua obra era percepcionada desse modo (410). Tal devia-se ao facto de o vocábulo possuir um significado distinto daquele que possui hoje, já que, no século XVII, se relacionava com algo que se assemelhava a contos de romances, tanto de um modo estrito, aludindo a uma classificação artística, como de uma maneira abrangente, englobando as típicas qualidades dos romances, nomeadamente improbabilidade, falsidade e um cariz fantasioso (Perry 5).
O mesmo foi sublinhado por Vítor Manuel de Aguiar e Silva, que aclarou que o termo português romantismo provém, com mediações francesas, do adjectivo inglês romantic, empregue desde meados do século XVII com a conotação de “semelhante aos antigos romances”, designando romance, na língua bretã, um género narrativo alusivo à fantasia, mistério e aventura (487). Aguiar e Silva salientou também que, desde pelo menos o início do último quartel do século XVII, romantic começou a revestir-se de um teor estético-literário, caracterizando trabalhos marcados pela fantasia e efabulação e não obedecendo às regras clássicas relativas à verosimilhança (487). No seio da cultura racionalista do Iluminismo, a palavra romântico reportava-se a ideias como quimérico, inacreditável, ridículo e absurdo, sendo apenas na segunda metade de setecentos que passaria a conter implicações positivas, face à “valorização crescente, na arte, na cultura e na vida, do sentimento, da emoção e da imaginação” (Aguiar e Silva 488).
Seria ao longo da segunda metade do século XVIII que, nas línguas inglesa, francesa e alemã, o conceito de romântico passaria a ostentar uma acepção intrinsecamente literária, começando a surgir em oposição, desde o início da centúria de novecentos, ao termo clássico, dicotomia para a qual contribuiu amplamente Vorlesungen über dramatische Kunst und Literatur (1809), de Schlegel (Aguiar e Silva 488), já evocado. De acordo com o poeta alemão, como explica Aguiar e Silva, a poesia clássica, nomeadamente a de origem grega, apresentava um cariz simples e claro, desprovido de antinomias, exprimindo de uma maneira harmoniosa “um mundo ideal de formas arquetípicas” (488). Por sua vez, a poesia romântica “é a expressão de uma misteriosa e secreta aspiração pelo Caos incessantemente agitado a fim de gerar novas e maravilhosas coisas” (Aguiar e Silva 488), encontrando-se, portanto, equacionada com o mistério, o desejo infindo e as aspirações que insistem em não ficar satisfeitas (Aguiar e Silva 488). Quando Anne-Louise Germaine de Staël-Holstein, Madame de Staël (1766-1817) publicou De L’Allemagne (1813), contribuiu profusamente para a difusão da díade antitética clássico/romântico (Aguiar e Silva 488), conotando, a par de Schlegel, a poesia clássica com “a poesia dos antigos” e a poesia romântica com “a poesia da modernidade dos povos europeus” (Aguiar e Silva 488).
A primeira pessoa a descrever os poetas britânicos da passagem do século XVIII para o XIX como pertencentes a uma escola romântica, especialmente aqueles que incorporavam a “Lake School”, acima mencionada, foi Hippolyte Taine (1828-1893), que, em 1863, estabeleceu uma analogia com os românticos franceses de inícios de oitocentos (Perry 5). De modo semelhante, o historiador alemão Alois Brandl baptizou os “Lakers” de românticos, novamente mediante uma analogia, se bem que desta feita com o romantismo alemão (Perry 5). Porém, Perry colocou em causa tal correlação, afirmando que Brandl se viu forçado a argumentar que Coleridge, Walter Scott (1771-1832) e, até, Wordsworth se haviam inspirado profusamente na Idade Média, apesar de Perry frisar que, pelo menos no caso de Wordsworth, tal era altamente improvável (6).
Ao longo do final do século XIX e começo do século XX, deu-se uma alteração ao nível do cânone de obras inglesas incluídas no espectro de trabalhos considerados românticos, o que invariavelmente desembocou numa mudança no modo como o conceito era entendido (Perry 6). Foi neste período que a noção de romantismo passou a englobar a maior parte dos autores que se averiguam actualmente conectados a esta classificação literária e histórica, transformação associada a três grandes eventos interrelacionados, como argumenta Perry (6). Em primeiro lugar, assistiu-se à marginalização de Scott e Byron, outrora considerados centrais para o romantismo, seguida, depois, da crescente importância atribuída a Wordsworth, procedida, por fim, pela emergência de William Blake (1757-1827) como essencial para o movimento em questão (Perry 6). Assim, quando F. R. Leavis (1895-1978) publicou New Bearings in English Poetry (1932), já Wordsworth, Coleridge, Shelley e Keats eram tidos como os grandes românticos, tendo Scott desaparecido das suas fileiras e Byron aparecendo mais como um “late-comer Augustan” (Perry 6) e não tanto como um romântico propriamente dito (Perry 6). Neste contexto, Wordsworth adquiriu um papel fundamental e o critério do medievalismo, a que se havia previamente aludido através da referência à figura de Brandl, foi rejeitado como relevante por H. J. C. Grierson (1866-1960) em 1923, precisamente por não se aplicar ao poeta laureado (Perry 6).
Mais recentemente, João Almeida Flor, em “Romantismo Inglês (Leituras e Contactos)” (1997), apontou que o romantismo, particularmente na sua dimensão anglófona, abrange várias gerações, incluindo, para além do “génio multímodo e inclassificável de Blake” (509), três grandes grupos. O primeiro, dos proto-românticos, abarca Thomas Gray (1716-1771), Oliver Goldsmith (1728-1774), James Macpherson (1736-1796) e James Thomson (1700-1748), seguindo-se-lhe uma primeira geração, conectada, nos seus sentimentos, à região fronteiriça anglo-escocesa, na qual se encontram Wordsworth, Coleridge, George Crabbe (1754-1832), John Clare (1793-1864), Southey e Scott (Almeida Flor 509). Por fim, o terceiro grupo, correspondente a uma segunda geração, desta feita “de vocação mediterrânica, italianizante e helenizante” (Almeida Flor 509), assegurando a transição para o vitorianismo, apresenta nas suas fileiras os já mencionados nomes de Keats, Shelley e Byron (Almeida Flor 509).
O carácter alusivo ao romance e o medievalismo não serão os parâmetros indicados para descrever o romantismo britânico, mas sim, como propõe Perry, o idealismo e o egotismo, assim como o primitivismo e o retorno à natureza (7). Perry salienta que estes diferentes critérios podem dar origem a um conflito em larga medida expectável, conectado ao impasse do romantismo, diagnosticado por Paul de Man (1919-1983), que perguntou o seguinte: “Is romanticism a subjective idealism . . . Or is it instead a return to a certain form of naturalism after the forced abstraction of the Enlightenment?” (198). Tanto o naturalismo, ligado a Wordsworth e à sua crescente relevância para o cânone, como o idealismo subjectivo, vinculado a Coleridge e a Shelley, se demonstram parâmetros cada vez mais pertinentes para uma conceptualização do romantismo (Perry 7). De igual modo, a ênfase atribuída ao interior do artista cresceu em importância, especialmente à medida que o romantismo começou a ser colocado em paralelo com a filosofia anti-empirista do idealismo alemão (Perry 7). Em 1926, Lascelles Abercrombie (1881-1938) afirmou que a verdadeira antítese não é entre o romantismo e o classicismo, como Schlegel e Madame de Staël haviam decretado e como Aguiar e Silva mencionou pertinentemente, mas sim entre o romantismo e o realismo, e que, portanto, o romantismo se caracterizava por uma tendência para se afastar da realidade, como Abercrombie constatou: “We see the spirit of the mind withdrawing more and more from commerce with the outer world, and endeavouring, or at least desiring, to rely more and more on things it finds within itself” (49). Simultaneamente, a crescente preponderância de Blake também contribuiu para o papel decisivo do idealismo na definição do romântico, com Abercrombie a colocar o poeta e pintor inglês lado a lado com Coleridge, Shelley e Byron e com Harold Bloom (1930-2019), em The Visionary Company (1961), a considerar Blake o exemplo máximo do romântico (Perry 8).
Por seu turno, Almeida Flor sublinhou que, no plano político-institucional, o romântico, inicialmente inspirado pelas forças de ruptura materializadas na Revolução Francesa de 1789, mas confrontado com o desencanto resultante de expectativas defraudadas, acolhia a contra-revolução (509). Assim, os românticos valorizavam as tradições e a consciência historicista e nacionalista, responsável por mitificar e absolutizar a memória colectiva (Almeida Flor 509), abraçando os promotores do romantismo “o conservadorismo restauracionista, contra-revolucionário, anti-bonapartista e francófobo” (Almeida Flor 509). Já no campo da filosofia, o eu romântico não se cingia a receber passivamente os dados transmitidos pelos sentimentos, funcionando, antes, como “uma instância da realidade, uma energia co-criadora do mundo, unificadora e coesiva que viabilizava a síntese das antinomias e a coincidência dos opostos” (Almeida Flor 509). No que diz respeito à sensibilidade, o sujeito romântico, movido por “uma síndrome de privação” (Almeida Flor 509), mobilizava como temas o devir, a mutabilidade e a efemeridade da vida, procurando descobrir e descobrir-se mediante a demanda, concretizada através de uma viagem física e espiritual, metaforizando “a aspiração e o desejo de reintegração na unidade primordial” (Almeida Flor 508). A consciência romântica, de igual modo, empenhava-se na tarefa de idealizar o mundo e redimir a história, recorrendo, para tal, à imaginação mitopoética, permanecendo o artista atento às potencialidades simbólicas do real e procurando descodificar os sinais da transcendência, que se encontrava cripticamente inscrita nas coisas (Almeida Flor 509). O romântico, levado ao limite, caía na “afirmação mórbida do egocentrismo”, na “hipertrofia do sentimento melancólico ou necrófilo” e na “mistificação do primitivismo” (Almeida Flor 509). Por fim, no âmbito da poética e da poesia, o romantismo, nomeadamente o de índole anglófona, rejeitava a dicção, a retórica e a discursividade do neoclassicismo setecentista, privilegiando “a reabilitação do quotidiano e o aproveitamento da coloquialidade”, resultando numa poesia que cria traduzir a emoção descomedida, depois recordada e evocada nos períodos de tranquilidade (Almeida Flor 509).
Aguiar e Silva argumentou que foi a polissemia da noção de romantismo, patente nas perspectivas acima explicitadas, que levou Arthur O. Lovejoy (1873-1962), em “On the Discrimination of Romanticisms” (1924), a afirmar que as tensões terminológicas originadas pelo vocábulo se transformaram no escândalo da história literária e crítica, forçando-o a defender que apenas se devia empregar romantismo no plural (Aguiar e Silva 489). Como clarificou Aguiar e Silva, no entender de Lovejoy o denominador comum das variadas formas do romantismo ainda não foi definido com exactidão, pelo que a sua existência não deve ser assumida através do emprego do conceito no singular (Aguiar e Silva 489). René Wellek (1903-1995), em Theory of Literature (1949), adoptou uma posição díspar, assegurando, mediante uma análise alicerçada nos estudos comparados, que existe uma profunda unidade no romantismo europeu, assente nos seguintes aspectos, enumerados por Aguiar e Silva: “a imaginação, no que diz respeito à concepção da poesia; a natureza, em relação à visão do mundo; o símbolo e o mito, quanto ao estilo poético” (Aguiar e Silva 489). Também Aguiar e Silva se posicionou junto a Wellek, defendendo uma concepção histórico-literária do romantismo, mas não como estando “entalado” (489) entre o neoclassicismo e o realismo (489). Ao invés, o romantismo, para Aguiar e Silva, tratava-se de um “megaperíodo” (489) que se manifestou de diferentes formas nas literaturas ocidentais dos séculos XIX e XX, embora as suas expressões originárias remontassem à primeira metade do século XIX (Aguiar e Silva 489). Aguiar e Silva acrescentou que a presença do romantismo na centúria de novecentos não se reportava somente ao neo-romantismo, encontrando-se igualmente patente no simbolismo, surrealismo, expressionismo e existencialismo, impensáveis em desconexão deste “megaperíodo” (489).
Finda a presente resenha conceptual, cumpre assinalar que, enquanto categoria literária e histórica, o romantismo encontra-se associado ao que James Chandler designou de “Romantic age”, ou, em português, era romântica, tipicamente demarcada, de um lado, por datas como 1776, 1783 ou 1789 e, do outro, 1832, todas elas de extremo significado político, surgindo associadas a momentos de rebelião, revolução e reforma (1). Se 1776 marca o ano de aprovação da Declaração da Independência norte-americana, 1783 caracteriza-se pela assinatura do Tratado de Versalhes, responsável pelo final da Guerra da Independência (1775-1783) dos Estados Unidos da América, e 1789 assistiu ao estalar da Revolução Francesa. Já 1832 assinala a passagem do Great Reform Act britânico, que teve em vista reformar o sistema eleitoral inglês e galês, expandido o leque de homens elegíveis para exercer o direito de voto. Como Chandler constatou, tal demonstra-se apropriado, já que muitos autores ingleses românticos encaravam o seu trabalho como servindo importantes desígnios políticos numa esfera de sentimentos e opiniões públicas divergentes (1-2). Com efeito, como explicou McCalman, aquilo que homens como o artesão londrino Blake, o aristocrata libertino Byron e o introvertido rural Wordsworth partilhavam em comum era, acima de tudo, uma ideologia romântica, um ideal forjado por artistas, escritores e intelectuais à medida que se debatiam com alterações comerciais e profissionais nas artes e letras e com guerras e revoluções nacionais (2). Para McCalman, verifica-se absolutamente vital salientar a dimensão ideológica do romantismo, evitando cair no processo circular e limitador de isolar um estreito conjunto de aspectos estéticos descritos como românticos e de ligá-los a um período temporal preciso. Somente deste modo seria possível reconhecer a vasta pluralidade de vozes, algumas delas menos conhecidas ou totalmente ignoradas, que participaram no romantismo, para além de se passar a poder redescobrir escritores como Wordsworth e Coleridge, que viveram num momento marcado por revoluções mundiais (McCalman 2). Como constatou McCalman, “Theirs was a time when world revolution featured as largely as the quest for inward consciousness” (2). Assim, revela-se necessário não esquecer que o romantismo britânico não foi sempre introspectivo, rural e quietista, já que alguns dos seus preponentes permaneceram politicamente intervenientes (McCalman 3).
Referências
Abercrombie, Lascelles. Romanticism. London, Secker, 1926.
Aguiar e Silva, Vítor Manuel de. “Romantismo.” Dicionário do Romantismo Literário Português, organizado por Helena C. Buescu, Lisboa, Caminho, 1997, 487-492.
Almeida Flor, João. “Romantismo Inglês (Leituras e ontactos).” Dicionário do Romantismo Literário Português, organizado por Helena C. Buescu, Lisboa, Caminho, 1997, 508-510.
Chandler, James. “Introduction.” The Cambridge History of English Romantic Culture, editado por James Chandler, Cambridge, Cambridge University Press, 2009, 1-17.
Jack, Ian. English Literature 1815-1832. Oxford, Clarendon Press, 1970.
Machado, Álvaro Manuel. As Origens do Romantismo em Portugal. Amadora, Instituto de Cultura Portuguesa, 1979.
Man, Paul de. “The Rhetoric of Temporality.” Interpretation: Theory and Practice, editado por Charles Southward Singleton, Baltimore, Johns Hopkins University Press, 1969, 173-209.
McCalman, Iain, editor. An Oxford Companion to the Romantic Age. British Culture 1776-1832. Oxford, Oxford University Press, 1999.
Perry, Seamus. “Romanticism: The Brief History of a Concept.” A Companion to Romanticism, editado por Duncan Wu, Malden, Massachusetts, Blackwell, 1998, 3-11.



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